Rebanho bovino baiano é o sexto maior do país
Há seis anos com o status de “Zona Livre da Febre Aftosa Com Vacinação” e há 10 anos sem foco da doença, a Bahia ocupa lugar de destaque no Nordeste, no que se refere à criação de gado bovino e bubalino, por possuir o maior rebanho da região. A Bahia e Sergipe são os únicos estados nordestinos que têm condições de comercializar livremente bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos para o restante do país.
Alagoas, Paraíba, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte são regiões infectadas pelo vírus da febre aftosa. Os estados de Pernambuco e Maranhão compõem uma zona de médio risco, o que significa que, para poder fazer trânsito para outros estados, os animais necessitam passar por exames de sorologia.
O Brasil possui o maior rebanho comercial de gado do planeta, contando com 215 milhões de cabeças. Esse potencial representa um dinamizador da economia brasileira, pois coloca o país como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. Segundo o diretor-geral da Adab, Altair Santana, a existência de focos de aftosa no Norte e Nordeste dificulta as exportações para os mercados mais exigentes do mundo e que melhor remuneram, como Estados Unidos e Japão.
"A meta é que todos os estados do Brasil tenham reconhecimento de zona livre com vacinação, para que, em seguida, avancemos para o status de país livre sem vacinação, o que eliminaria qualquer barreira sanitária, para que possamos atingir esses mercados exigentes", conclui Santana.
Nesse sentido, tanto o governo federal quanto os estados vêm trabalhando para tornar os produtos mais competitivos, combater e erradicar a enfermidade.
A Bahia hoje conta com 270 mil criadores cadastrados na Agência Estadual de Defesa Agropecuária e ocupa o 6o lugar no ranking nacional de gado bovino e bubalino. Nos pastos baianos, existem 11,25 milhões de bovinos e 15 mil cabeças de bubalinos.
O diretor de Defesa Sanitária Animal da Adab, Valentin Fidalgo, informa que os bovinos criados nas terras baianas são os chamados boisdecapim, porque se desenvolvem livremente nos pastos.
"Isto permite a produção de carnes de excelente qualidade, respeitando-se o bem-estar do animal. Países desenvolvidos têm valorizado produtos obtidos dessa forma, com os animais criados em seu habitat natural, soltos na natureza, sem privação de espaço físico, ou seja, sem confinamento", afirma o diretor de Defesa Sanitária Animal.
Segundo o especialista, houve um aumento de 30% no número de cabeças nos rebanhos baianos nos últimos dez anos. A multiplicação do rebanho caminha ao lado da maior capilaridade e efetividade da atuação da agência.
O criador Urbano Antônio Souza Filho, fazendeiro de São Sebastião do Passé, mescla a liberdade da criação do rebanho com a utilização de técnicas mais modernas de desenvolvimento e proteção do gado. Ele revela que para evitar o contato com animais de outras fazendas, que eventualmente não tenham uma criação com os devidos cuidados de saúde, a fazenda utiliza cercas elétricas, garantindo a proteção dos animais.
Os animais vivem de forma rotacionada nos pastos, promovendo um manejo mais eficaz, viabilizando a existência de um maior número de animais na fazenda. O chamado pastejo rotacionado também garante uma alimentação mais adequada dos animais, que contam com suplementos minerais e concentrados. Tudo isso resulta na criação de bois e búfalos mais saudáveis e menos estressados.