Vacinação é o principal instrumento de combate

10/09/2007

Vacinação é o principal instrumento de combate

Aplicada nos meses de março e setembro, a vacina representa a principal arma do criador para combater a aftosa e é um importante instrumento de controle para a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e responsável pelo credenciamento, orientação e fiscalização de todo o processo de vacinação contra a aftosa e controle do trânsito dos animais no estado.

A vacina só é vendida nos meses definidos pela Adab em pelo menos 800 lojas de produtos veterinários cadastradas no estado. Os criadores podem adquirir o produto nos revendedores, observando detalhes como a validade e exigindo a nota fiscal. O documento é indispensável para o momento de declaração da vacinação.

A nota fiscal deve ser emitida em nome do criador, constando também a data de compra e o laboratório fabricante.

O órgão orienta para que os criadores comprem pelo menos uma quantidade 10% superior à do número de seus animais para compensar perdas eventuais, lembrando sempre que a totalidade do gado deve ser obrigatoriamente vacinada.

Após o dia 30 de março e 30 de setembro, é suspensa a venda da vacina e só permitida a declaração da vacinação.

Embora ovinos, caprinos e suínos manifestem os sintomas da febre aftosa, apenas os bovinos e bubalinos (búfalos) são vacinados e declarados.

Segundo Antônio Valentin Fidalgo, diretor de Defesa Sanitária Animal da Adab, os demais animais de casco bipartido sofrem os males da enfermidade, porém são encarados como sentinelas da doença, sinalizando a sua existência nos rebanhos e a necessidade de uma ação mais emergencial de combate. Cabras, porcos e ovelhas só passam pela vacinação em situações de enfermidade. A erradicação da febre aftosa significa a não existência do vírus. Se os sintomas existem em alguma espécie animal numa região, o problema ameaça e persiste.

Dosagem

De acordo com o diretorgeral da Adab, Altair Santana, a vacina brasileira contra a aftosa é a mais eficiente do mundo: a dosagem aplicada aqui é equivalente à que costuma ser aplicada em casos de epidemia, em outros países. O rigor é reflexo do trabalho feito pelo governo federal, através do Ministério da Agricultura, garantindo uma me-lhor proteção do rebanho.

Tanto para os bezerros quanto para os animais adultos a dosagem é a mesma (5 ml), sem variações de idade ou peso. A vacina é aplicada através de injeções subcutâneas ou intramusculares, na região da tábua do pescoço (por ser uma área de baixo valor comercial na carne bovina ou bubalina).

Recomenda-se que um veterinário oriente e uma pessoa treinada aplique as dosagens nos animais, separando-os por categoria (novilhos, vacas, entre outros) e fazendo as devidas contenções, para evitar acidentes e estresse do animal.

O criador Urbano Antônio Souza Filho, de São Sebastião do Passé, se mostra consciente da importância da vacinação.

Para ele, "a sanidade é uma coisa das mais fundamentais para a criação de gado bovino e bubalino. Hoje em dia o consumidor quer segurança e bom preço. Ele quer ter certeza da qualidade daquilo que está consumindo. Por isso o criador precisa estar atento para os prazos de vacinação e ter cuidados com os seus animais".

O fazendeiro sabe dos prejuízos econômicos que enfermidades dessa natureza causam para os rebanhos. Tanto que nos períodos semestrais de vacinação ele procura comprar uma quantidade maior de doses da vacina, para partilhar entre os criadores vizinhos, que não tiveram condições de adquirir a medicação.

A vacinação é uma obrigação do criador. Porém ao governo cabe todo o trabalho de conscientização, incentivo, orientação e fiscalização. A Adab vem trabalhando no sentido de manter a Bahia livre da doença, evitando as restrições à comercialização interna e externa da carne bovina. Só assim, a Bahia e o Brasil poderão continuar conquistando os mercados internacionais.

Segundo a direção de Defesa Sanitária Animal da Adab, não basta vacinar o animal. O criador tem o dever de declarar a vacinação. Mais do que isso, a declaração é o instrumento que valida a vacinação, além de fornecer os dados sobre o percentual de vacinação do rebanho do estado, como outras informações de cunho técnico e epidemiológico.

Sem a declaração, é como se o criador não tivesse vacinado seu animal, o que implica em multa e na proibição do transporte do animal para fora de sua fazenda. A declaração pode ser feita até 15 dias após a aplicação da vacina em um dos escritórios da agência espalhados pelos diversos municípios baianos