Investimento também no oeste

11/09/2007

Investimento também no oeste
 

 

Maior produtora de soja do Nordeste, a região do cerrado baiano produziu mais de dois milhões de toneladas do produto na safra 2006/2007. Entretanto, apesar de ser matéria-prima para a produção de biodiesel, a soja baiana ainda se destina basicamente ao consumo humano. Esse quadro pode mudar em poucos anos, com a implantação de agroindústrias de biodiesel no oeste que vão usar além da soja, a mamona, o girassol e o pinhão manso.

De acordo com o gerente comercial e de logística da Global Ag Biodiesel Ltda, Clairton Dillmann, a expectativa é que em outubro de 2008 a indústria a ser instalada no Centro Industrial do Cerrado, em Luís Eduardo Magalhães (960 km de Salvador), comece a funcionar. A capacidade de produção é de 100 milhões de litros por ano e o investimento inicial previsto para sua implantação é de U$$ 46 milhões, com a geração de 165 empregos diretos. Dillmann destaca que a empresa está fomentando a pesquisa com o pinhão manso porque não existe a tradição deste cultivo nem na região do cerrado, nem nos vales.

“Queremos envolver pequenos produtores, não apenas na produção do pinhão manso, mas com outras alternativas para que não fique em uma monocultura”, diz o gerente.

O girassol, matéria-prima bastante utilizada na produção de óleo, foi plantado no cerrado nesta safra em cerca de 2,5 mil hectares, com produtividade média de 25 sacas de 60 quilos por hectare, devido a seca. Esta média, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Almeida Schmidt, é considerada baixa e o esperado é de 50 sacas por hectare.

“A produção de girassol para biodiesel não está ocupando áreas destinadas à produção de alimentos”, afirma Schmidt, destacando que no cerrado ele é plantado no período da safrinha (depois da colheita da soja e milho) e na agricultura familiar é usado para incrementar a rotação de culturas.

Já a produção de mamona na região ocupou uma área de 4 mil hectares na safra 2006/2007, principalmente em terrenos de agricultura familiar. De acordo com o responsável pela área de Reforma Agrária da ONG Agência 10envolvimento, Martin Mayr, a mamona até agora não está ameaçando a produção de alimentos “porque na prática os produtores consorciam a mamona com feijão e outras culturas de alimentos”.

Ele afirma que apesar da publicidade feita em torno do envolvimento da agricultura familiar na produção de culturas utilizadas na fabricação de biodiesel, “por enquanto essa participação é muito tímida na nossa região e tem mais conversa que prática. Ainda não estou convencido que isso seja tão rentável e que o projeto idealizado de inclusão social seja efetivado”. Já o consultor de agronegócios, Ivanir Maia, ressalta que na região oeste da Bahia o girassol e a mamona não deverão substituir as áreas destinadas à produção de alimentos.