MST festeja duas décadas na Bahia
Os 20 anos doMovimento de Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na Bahia começaram a ser comemorados na última sextafeira. A festa prossegue no Assentamento 40/45, onde foram assentadas, em 1987, as primeiras 600 famílias ligadas ao movimento no município de Alcobaça, situado a 825 quilômetros de Salvador, no extremo sul do Estado.
A presença de líderes nacionais do movimento, como José Rainha e Pedro Stédile, que chegou a ser divulgada não se confirmou. No primeiro dia de festa apareceram somente lideranças estaduais, como Valmir Assunção e Jaime Amorim, membros da coordenação nacional do movimento dos sem terra.
“Essa foi a primeira ocupação que fizemos. Na época era o governo de Waldir Pires. Eram 600 famílias. De lá para cá nos conseguimos assentar em torno de 10 mil famílias no estado na Bahia. Nós temos mais de 25 mil famílias acampadas no estado”, contabiliza Valmir Assunção, que hoje é secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do governo do estado.
HISTÓRIA – Valmir Assunção destacou que atualmente é fácil falar em movimento sem-terra, mas há 20 anos atrás seus integrantes eram perseguidos. Ele ressalta que por conta de suas ações os sem terra conseguiram fazer com que boa parte da sociedade os respeitasse. “Conseguimos fazer com que respeitem o MST, como uma organização importante da sociedade, do ponto de vista das lutas, das conquistas e dos exemplos que nós construímos ao longo desses anos. Acho que isso é o grande patrimônio alcançado”, completou Assunção.
Em relação ao atual governo do Estado, o secretário afirmou que há um processo de negociação desde abril, com o MST. A concretização dessa negociação irá significar, em sua avaliação, o fortalecimento do movimento sem-terra. Sua aposta é no aumento do número de famílias assentadas e na criação de infra-estrutura dentro das áreas já formalizadas como assentamentos.
LUTAS –Sobre os conflitos, principalmente no extremo sul do estado, com as empresas de celulose, o coordenador do MST disse que, assim como o movimento sempre combateu o latifúndio improdutivo, também tem como foco as empresas que chama de agronegócios.
Para ele, estes empreendimentos monopolizam determinadas atividades produtivas. Há um mês, famílias ligadas ao movimento ocuparam uma área da empresa Suzano Papel e Celulose no município de Teixeira de Freitas. O local, só deverá ser desocupado na próxima terça-feira.
CRÍTICAS – Com a ocupação, os manifestantes conseguiram que o Incra agilizasse a vistoria de algumas fazendas da área, segundo Antonio Brito, líder do MST na região.
Já o representante nacional do movimento, Jaime Amorim, critica o que afirma ser uma aposta do governo federal no modelo agroimportador, através da monocultura, modelo cujo seguimento ele credita a uma ação das elites brasileiras.
“A reforma agrária mais uma vez é colocada em segundo plano.
Acho que é pior porque o governo abandonou a possibilidade de fazer a reforma agrária como um projeto de desenvolvimento para o país, invertendo o modelo histórico.
Ele só vê a reforma agrária como compensação social”, acrescentou. As atividades relacionadas à comemoração dos 20 anos da fundação do MST em Alcobaça serão encerradas hoje.