Safra baiana de mamona tem queda de 40%
A safra baiana de mamo na, que respondepor 95% da produção nacional não deve ultrapassar 60 mil toneladas de baga este ano. O volume é 40% inferior ao alcançado há seis anos. Produtores e comerciantes estão assombrados.
A preocupação não se restringe ao aspecto econômico. A cultura da mamona gera um dos maiores impactos sociais do setor por ser produzida dentro do conceito de agricultura familiar. Para se ter lima idéia, existem cerca de 30 mil produtores no Estado, dos quais 85% são pequenos. A queda na safra é resultado das condições climáticas desfavoráveis (pouca chuva), falta de assistência técnica e preço baixo no atoda venda, dizem os. produtores.
Quando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel foi anunciado pelo governo federal, 'os agricultores e investidores do segmento de mamona o recebem como alento, mas acabaram com as expectativas frustradas.
O produtor da região de Morro do Chapéu, Aldérico Gomes, já reduziu a área que plantava de 350 hectares para 220 hectares. "Tive de reduzir por causa do prejuízo, que piorou nos últimos dois anos", afirma. Aldérico conta que já chegou a vender 12 caminhões de mamona por semana. 'atualmente, vendo dois caminhões a pulso".
O produtor ldelbrando Santos, de Cafarnaum (85 km de lrecê),
atribui parte da redução da área de produção à falta de assistência técnica. "Pulverizamos a plantação, mas nem sempre a gente faz as coisas na hora certa. Se tivesse assistência técnica, seria melhor", comenta. Ele garante que nunca recebeu apoio técnico por parte do governo. "A gente planta por conta. Não temos apoio técnico", reforça o produtor de Morro do Chapéu, Aldérico Gomes.
A falta de padrão de qualidade em parte da produção baiana também é atestada pelo comerciante de mamona VicenteAlldriola. "No interior do Estado, muitos agricultores não sabem como cuidar bem da lavoura. Sempre tem impureza na mamo na. Tive cliente que já mandou carga de volta por causa das impurezas", garante.
"O produtor costuma utilizar para plantio a semente que colheu com fungos de solo. Se usasse semente certificadà, a produtividade seria muito maior e com qualidade", defende Adrian Hanzi, diretor da Bom Brasil Óleo de Mamona, maior empresa do segmento.
O coordenador geral de Biocombustíveis da Secretaria de Agricultura Familiar, Jânio Rosa, garante que o governo está estruturando ações para aumentar a oferta de assistência técnica, com objetivo de melhorar as condições de produção e fortalecer o consórcio da mamona efeijão.
Outro problema apontado pelos agricultores é o preço de venda. O produtor ldelbrando Santos estima que 70% dos produtores de lrecê não plantaram mamo na no ano passado. A região responde por 60% da produção estadual."Quem vai querer plantar para vender a'saca por R$ 24? O governo deveria dar um preço de garantia para o produtor", reivindica. O preço ideal, diz, seria R$ 50 por saca.
"Os países desenvolvidos subsidiam a agricultura. O governo federal prometeu incentivar a produção de mamona, fizeram muita propaganda, mas sem efeitos práticos", critica o presidente do Sin" dicato dos Produtores Rurais de Lençois, Nildenor Silva Filho. "Os órgãos estaduais também não estão apoiando os produtores", acrescenta.
Nildenor começou a produzir há três anos e já se arrependeu da aposta que fez. "Participei do I Congresso Nacional de Mamona,
na Parafba, e fui convencido afazer parte do programa. Quebrei a cara. Vendi a preço simbólico minha produção", lamenta Nildenor Silva Filho. O produtor investiu cerca de R$ ISO mil e "não tive pratícamente retorno nenhum", assegura.
A saca de 60 quilos de baga para esmagamento foi vendida a R$ 18 entre 2004 e 2005, quando o preço justo indicado é de R$ 60. "Hoje, o preço melhorou mais. Está em torno de R$'45 porque poucos plantaram", comenta, citando a lei da
oferta e da procura.
Quem compra mamo na para revender, como a Cerealista Vicente, de lrecê, também está sentindo o impacto nos negócios. O diretor Vicente Andriola já chegou a comercializar mais de 20 caminhões por semana. Hoje, no máximo, consegue despachar três.