Café: seca pode frustrar próxima colheita
Cafeicultores sofrem com falta de chuva em algumas regiões produtoras e florada desigual em outras
Com a safra de café 2007/2008 praticamente concluída nas principais regiões produtoras, o mercado começa a especular sobre o volume de produção do próximo ciclo, por causa da característica bienal dos cafeeiros (num ano produzem muito e, no seguinte, pouco). Como a safra colhida este ano foi de baixa produtividade, para o próximo ano a previsão é de produção maior. Algumas áreas do sul de Minas Gerais não tiveram chuvas durante todo o mês de agosto, o que elevou consideravelmente o déficit hídrico e pode prejudicar o pegamento das floradas antecipadas que ocorreram nessas lavouras.
Em regiões produtoras paulistas, a chuva mais recente ocorreu em meados de julho e não há previsão de novas precipitações pelo menos até o próximo fim de semana. Algumas lavouras novas em São Paulo já sofrem com a falta de água e, no norte do Espírito Santo, plantações mais antigas da variedade conillon foram bastante prejudicadas.
SEM RECORDE
Embora seja cedo para dimensionar a próxima safra, especialistas sugerem que dificilmente o Brasil conseguirá repetir o recorde de produção de 2001/2002, quando foram colhidos 48 milhões de sacas. Para esses especialistas, o mês de setembro será decisivo para a cafeicultura.
O pesquisador Roberto Antônio Thomaziello, do Centro de Café, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas (SP), diz que a abertura antecipada da florada não foi uniforme nas diversas regiões produtoras de Minas e São Paulo. ''''A florada foi totalmente desigual e variou conforme o volume de chuvas'''', informa. Em algumas áreas produtoras de São Paulo, o volume de chuvas variou entre 150 e 200 milímetros, mas no cerrado mineiro os registros são de índice muito menor, de 30 a 50 milímetros.