Vale testa com sucesso variedade de cebola
Em um hectare de terra, o agricultor José Neves da Costa trabalha há 30 anos com a família plantando cebola, macaxeira, melancia e melão.
A área dele fica localizada na zona rural do município de Sobradinho, a 556 km de Salvador. Costa e a família trabalham e fazem parte de uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e pela Embrapa SemiAacute;rido de Petrolina (PE). A idéia é criar variedades de cebola adaptadas às condições climáticas da região do Vale do São Francisco que possibilitem ao agricultor familiar maior produtividade e incremento na renda.
Para chegar a esse fim, foram criados os campos de avaliação de cebola, implantados na região dentro do projeto de desenvolvimento de populações, cultivares e híbridos de cebola de cor roxa, amarela e cascuda para o Nordeste brasileiro. Os campos já foram instalados em Sento Sé e Sobradinho e estão em fase de implantação em Curaçá e Juazeiro, todos em áreas de produtores de cebola.
De acordo com George Bandeira, técnico da EBDA, o comportamento dos cultivares Alfa São Francisco e Brisa IPA-12 disponibilizados pela Embrapa e Instituto Pernambucano de Pesquisa Agropecuária (IPA) foram avaliados pela EBDA na Unidade Estadual de Pesquisa no ano passado e comparados com a IPA-11, uma variedade tradicionalmente cultivada pelos produtores do Vale. Já o produtor José Neves da Costa diz que na parte onde está o experimento, com cebolas plantadas há dois meses, “a germinação foi mais rápida que as outras”.
Comercialização
A variedade Alfa, segundo a EBDA, apresenta maior quantidade de bulbos comerciais.
Ainda não foram observadas diferenças na produtividade entre a IPA 11 e a Alfa São Francisco, que ficaram em torno de 23 toneladas/ hectare.
George Bandeira, da EBDA, diz que a IPA 11 é uma cebola já conhecida dos produtores regionais e é recomendada principalmente para o primeiro semestre, já que apresenta problemas com irregularidade nos formatos (bulbificação), que ocorre devido às altas temperaturas comuns no 2º semestre.
A Alfa São Francisco, no entanto, mostrou estar mais adaptada e ter boa produtividade para o período quente.
João Games da Silva, outro produtor na região de Sobradinho, disse que os testes servirão para que os agricultores aprendam a plantar cada variedade em seu tempo. A esperança dos agricultores de Sobradinho são as mesmas nas outras três regiões produtoras de cebola no Estado.
A do Vale do São Francisco, de Xique-Xique a Curaçá, a de Irecê, que planta atualmente 500 hectares de cebola, e Mucugê, na Chapada Diamantina, que produz cebolas híbridas com alta produtividade e alto nível tecnológico. Sento Sé e Casa Nova são os maiores produtores de cebola da Bahia, com 1,5 mil hectares e 1,3 mil hectares, respectivamente. O Vale do São Francisco chega a plantar 5 mil hectares de cebola, beneficiando diretamente 6 mil agricultores.
Plantio orgânico é aposta para superar o convencional
Com base nas exigências nutricionais e na alta incidência de pragas e doenças nos plantios da cultura de cebola, pesquisadores da Embrapa SemiAacute;rido conseguiram evidências de que a produtividade no plantio orgânico pode superar a convencional, e as experiências chegaram até os campos de cebola.
Apesar da freqüência e da intensidade de uso de insumos nas práticas agrícolas, os pesquisadores asseguram que o objetivo é mostrar que os cultivos alternativos não devem ser considerados de alto risco ou de pequena viabilidade comercial.
Foram dois anos em testes para se chegar ao manejo orgânico de cerca de 38 toneladas/hectare de bulbos comerciais de cebola, com quantidade superior à média registrada com os métodos tradicionais na região, de 20 t o n e l a d a s / h e c t a re .
O pesquisador da Embrapa SemiAacute;rido Nivaldo Duarte Costa diz que “o resultado demonstra a viabilidade técnica e abre as portas para um mercado em franca expansão no Brasil: o de produtos orgânicos”. Das 18 variedades avaliadas nos testes experimentais para produção orgânica, a “Brisa” foi a mais produtiva.