Cooperativas fazem reivindicações ao governo
O agricultor Gil Santos, 21 anos, de Cruz das Almas, seus pais e seis irmãos sobrevivem com uma renda mensal de R$ 400. O dinheiro é fruto da venda de mandioca, aipim e inhame que são plantados em seu terreno de 10 hectares.
"A gente poderia ter um lucro maior com nosso trabalho, mas pra vender a produção dependemos dos atravessadores. Eles compram barato na nossa mão e vendem mais caro lá na frente", reclamou.
Este é só um dos problemas discutidos pelos representantes de 100 cooperativas de agricultores que se reuniram, quarta-feira e ontem, na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), durante o VI Encontro Estadual das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.
Além de discutir formas de expandir o cooperativismo e consolidar o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no estado, os trabalhadores entregaram ao governo da Bahia uma pauta de reivindicações.
Demandas – O presidente da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária, José Paulo Crisóstomo, lembrou que a atividade é responsável por 10% do PIB nacional e por 40% do PIB agropecuário. "Mas, mesmo assim, sempre fomos maltratados e sem apoio", disse.
Para Geraldo Simões, o cooperativismo é um modelo vitorioso das relações da humanidade e a organização da produção. "Eles estão no caminho certo", explicou.
Segundo ele, o objetivo do governo é melhorar as condições de produção e comercialização da agricultura familiar, a assistência técnica, a produtividade, o material genético e a renda dos trabalhadores.
Tecnologia – "Quem tem 10 hectares para produzir não pode mais explorar sua terra de forma primitiva. Tem que ter equipamentos e a cooperativa é a melhor forma de suprir essa necessidade", ressaltou o secretário.
Ele disse que é muito mais fácil se comprar um trator ou se construir uma casa de farinha moderna quando há uma associação do que individualmente.
O governador Jaques Wagner lembrou que a agricultura familiar é responsável por 60% do alimento que chega à mesa dos brasileiros e uma forma de garantir a renda familiar, proporcionando cidadania à população.
"Por isso, o financiamento para a agricultura familiar pulou, no governo Lula, de R$ 2 bilhões, em 2003, para mais de R$ 10 bilhões, a maior parte deles no Nordeste", contabilizou.