Umbu da Bahia rumo à França
O mercado francês vai receber esta semana 3,33 mil caixas de doce cremoso de umbu, fruto do trabalho de 200 famílias no norte da Bahia.
A Cooperativa de Produtores de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) com estrutura de fábrica e minifábricas nos municípios que compreendem a cooperativa, está comercializando atualmente R$ 120 mil em beneficiamento para a França e tem faturamento anual de R$ 800 mil. Em um contêiner, foram colocadas as oito toneladas de doces que abastecerão a rede de supermercados francesa Alter Eco Commerce Équitable. O contêiner com os produtos da cooperativa saiu esta semana de Uauá, passou por Salvador e seguiu para a Europa pelo porto da capital.
De acordo com o gerente comercial da Coopercuc em Uauá, Egnaldo Gomes Xavier, a cooperativa com suas 15 unidades produtivas espalhadas nos três municípios tem capacidade para produzir até 330 toneladas ao ano de produtos beneficiados, mas fecha o ano com 180 toneladas. “Precisamos de mais consolidação de mercado e melhorias na estrutura das minifábricas para conseguir chegar ao nosso limite de produção”, assinala Xavier.
Ampliação
Ele diz que a região de Uauá, por exemplo, tem condição de abastecer grande parte do mercado e que a capacidade é de 12 plantas de umbu por hectare, com produção de 150 kg a 200 kg.
“Muito se perde por não ter tanto mercado quanto necessário.
Saem cerca de seis caminhões por dia de Uauá com fruto para as fábricas de polpa de Feira de Santana, Salvador e Sergipe”, informa o gerente da Coopercuc. Egnadlo Xavier explica que tudo seria diferente se houvesse ampliação de mercado para o produto que é genuinamente nordestino, típico do semiaacute;rido e hoje agrega valores a diversas famílias que aprendem a conviver com a região e o que ela oferece.
“As mudanças que aconteceram na vida das famílias têm que ser creditadas ao esforço de se descobrir formas de convivência com o semiaacute;rido e de inserir os produtos no mercado internacional”, assegura Jussara Dantas de Souza, sócia fundadora que atualmente é gerente comercial da Coopercuc.
Lucro das famílias com a produção do doce é de 35%
Na avaliação de Jussara Dantas de Souza, gerente comercial da Coopercuc, o sucesso da aceitação do umbu no mercado internacional se deve em especial às ONGs Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e à Horizontes Três Mil. Ela explica que o crescimento profissional da cooperativa, criada em 1997 mas oficializada em 2004, representa a força de trabalho das famílias do semiaacute;rido, com apoio não só das ONGs mas também do movimento Slow Food, que se contrapõe ao FastFood e pensa em qualidade alimentar, e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que ajuda com influência e motivação.A presença do Estado vem com a visita e palestras de Axel Dieudonné, assessor disponibilizado pela Superintendência de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura.
“Existem na Bahia 625 mil pessoas que vivem da agricultura familiar e o exemplo da Coopercuc é hoje o carro-chefe do que pode dar certo dentro do sistema cooperativista”, afirma.
A Coopercuc financia os insumos (açúcar, rótulo e embalagem) para as famílias que trabalham no período de safra entre os meses de dezembro a abril e entram com matéria-prima e mão-de-obra, basicamente familiar. Um técnico acompanha o processo de produção e viabiliza a comercialização dos produtos, que são recolhidos nas comunidades pela cooperativa.“Sessenta e cinco por cento do custo de produção é descontado e as famílias têm lucro de 35% do que é produzido”, esclarece Egnaldo Xavier.
Ele diz que os custos são muito altos, mas a margem de lucro das famílias é boa, se comparada aos 10% a 25% da cooperativa, que absorve despesas com comercialização e tributos. “A cooperativa compra os produtos das famílias a partir de um plano de negócios, pagando a diferença depois de descontadas as despesas com os custos”, completa.