Chuva traz alívio a produtores de grãos do País
São Paulo, 25 de Setembro de 2007 - Precipitações foram intensas no Rio Grande do Sul e isoladas em outras regiões do Brasil. As chuvas dos últimos dias no Centro-Sul do País foram apenas um refresco - com exceção do Rio Grande do Sul - para os produtores de grãos. A expectativa de meteorologistas é que as precipitações fiquem intensas somente a partir de outubro. A safra 2007/08 começa a ser plantada com a incógnita de como o fenômeno climático La Niña irá afetar a produção.
"A chuva era bem-vinda. Mas veio em exagero", afirma Ataíde Jacobsen, assistente técnico da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). Foi justamente o estado cujo padroeiro é São Pedro em que as precipitações foram intensas - de acordo com a Somar Meterologia, índice de 150 milímetros, nos últimos sete dias, na metade norte. No período, também registraram chuvas (acima de 20 milímetros) o centro de Santa Catarina, oeste do Paraná, centro-norte de Mato Grosso do Sul e norte e noroeste de Mato Grosso. "Com isso, pode-se dizer que foi dada a largada para o plantio da soja", diz Fábio Turquino Barros, analista da AgraFNP.
Para o meteorologista da Somar, Paulo Etchitchury, as chuvas irregulares não dão condições de plantio. A previsão da empresa é que o fenômeno La Niña atrase o retorno das precipitações no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, com risco de estiagem para o Sul (no verão).
Previsões
Pelas projeções da Somar, nos próximos dias, as chuvas vão dar uma trégua no Sul, ficando "significativas" na segunda quinzena de outubro. Nesse período é que devem retornar, de forma gradual, as precipitações nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas de 1 a 2 graus acima da média para esta primavera em Minas Gerais, São Paulo e na Bahia. O meteorologista do instituto Mozar de Araújo Salvador acrescenta que as chuvas de verão devem ser modestas, podendo ficar abaixo ou dentro da média. O clima seco decorre da elevação da temperatura do Oceano Pacífico, que interfere a circulação de água no planeta. Por conta disso, Salvador enfatiza que o fenômeno provocou o bloqueio das frentes frias. "As massas de ar frio ficaram concentradas no Rio Grande do Sul, enquanto que no Paraná as temperaturas ficaram acima da média. A tendência é de que a massa seca se mantenha", afirma o meteorologista.
O atraso nas precipitações não deve trazer efeitos imediatos para o cultivo de soja, segundo o analista Flávio França Júnior, da Safras & Mercado. De acordo com ele, o grão pode ser cultivado até dezembro e apenas em algumas regiões do Centro-Oeste a semeadura ocorre neste mês. "Teve gente que colocou semente no solo, mas não sei se vai vingar", afirma. Em sua avaliação, o produtor queria plantar cedo para fazer safrinha de milho fugir da ferrugem asiática.
Se na maior parte do Brasil faltou precipitação, no Rio Grande do Sul o excesso de chuvas pode afetar as lavouras de trigo - em desenvolvimento - e milho - cujo plantio chega a 30% da área. Jacobsen diz que nos últimos dias o cultivo do milho estava suspenso por causa da estiagem. No entanto, o temor dos agricultores gaúchos é que o excesso de umidade possa trazer doenças às lavouras.
Barros afirma que, em alguns municípios do Rio Grande do Sul houve perda de até 40%, em lavouras isoladas. Segundo ele, o granizo também teria prejudicado as lavouras de milho.
"São perdas pontuais, mas as tensões estão focadas para a ocorrência de geadas (nesses dias)", disse o analista da Safras & Mercado, Élcio Bento. No Paraná, há uma má distribuição de chuva. "Na região norte do Paraná teve escassez de chuvas, enquanto que na Sul tem trigo com qualidade ruim por conta do excesso de chuva", disse. O analista, no entanto, mantém a estimativa para a safra de 3,3 milhões de toneladas nos dois estados.