Ministro descarta o fim da Ceplac

28/09/2007

Ministro descarta o fim da Ceplac

 

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que a Comissão Executiva de Plano de Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão de sua pasta, não será extinta, mas apenas reformulada.

“O que existe é a decisão do governo do presidente Lula de investir em um programa de recuperação da região cacaueira e não necessariamente no cacau”, disse ele, se referindo ao pacote batizado de PAC do Cacau, avaliado em R$ 2,4 bilhões por oito anos.

Em entrevista exclusiva a A TARDE, Stephanes informou que a decisão foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de ser procurado pelo governador Jaques Wagner (PT). O próprio Wagner também teria procurado o ministro para cobrar detalhes do pacote inspirado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Sobre a questão do elevado endividamento dos produtores, o ministro disse que uma solução deverá ser apresentada apenas em 90 dias pelo Ministério da Fazenda.

A política agrícola da Ceplac para a região cacaueira, explica Reinhold Stephanes, deverá ficar a cargo de outros setores do ministério. Sua primeira constatação foi a de que o cacau e a seringa são bons negócios para a região e que o dendê tem bom potencial.

“Os produtores que tiverem condição de financiamento do governo, colherão bons resultados”, disse. A União está negociando ao todo nove grupos de dívidas agrícolas no País. Stephanes não quis fixar metas para a produção nacional de cacau.

Ele reconhece que o País tem condições de se tornar competitivo no segmento do qual se tornou importador, atingindo produtividade de 35 arrobas por hectare.

“Há recursos humanos e técnicos na Bahia para responder aos desafios da cultura”, disse.

Segundo ele, novas variedades e manejos específicos devem ser empregados para controlar a vassourade-bruxa e eventualmente outras novas. Dentro do planejamento global do ministério, Stephanes garantiu que não faltaram recursos para a sanidade vegetal e animal, chegando a R$ 210 milhões no orçamento de 2008.

AMAZÔNIA – O ministro Reinhold Stephanes disse ontem que o governo vai permitir, e até incentivar, a produção de canade-açúcar na Amazônia, desde que a lavoura seja estabelecida em áreas de pastagem degradadas na região. Essa possibilidade estará expressa no zoneamento agrícola que será lançado em junho de 2008.

Segundo Stephanes, haverá quatro tipos de mapa. O primeiro, com tudo o que já existe em termos de produção de etanol e açúcar.

O segundo terá os locais onde a cana pode ser cultivada no País. O terceiro será onde o governo não quer que se plante cana. Já o quarto mapa mostrará onde o governo quer que seja plantada canadeaçúcar.