Clima favorece Planalto e Chapada
Os municípios de Piatã, na Chapada Diamantina (546 km de Salvador), e Barra do Choça, no Planalto de Conquista, a 542 km da capital, estão quebrando paradigmas em torno das mudanças climáticas e aquecimento global. Contrariando as previsões negativas, as regiões cultivam os melhores cafés do País, com ou sem irrigação.
Ambas as regiões são favorecidas por um conjunto de fatores que incluem solo, clima e altitude.
A exemplo desses, todos os demais municípios produtores estão situados na faixa de 800 a 1.300 metros de altitude.
A localização geográfica de Piatã, 1.300 metros acima do nível do mar, lhe confere a distinção de “cidade mais alta do Norte e Nordeste” e, de quebra, a de “melhor café do País”, outorgada em 2006 pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Assim como Piatã, Ibicoara, Mucugê e Andaraí estão na Chapada Diamantina e Barra do Choça, Encruzilhada, Ribeirão do Largo e Vitória da Conquista, no Planalto. Um dos destaques é o município de Barra do Choça, maior produtor individual de café do Norte e Nordeste.
Os números ostentados pelo pequeno município, de pouco mais de mil habitantes, impressionam pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa ) e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A safra anual gira em torno de 350 mil sacas, o equivalente a 20% da produção estadual, que é de 1,6 milhão de sacas.
Orgânica
As 35 milhões de covas, distribuídas pelo 20 mil hectares de cafezais, garantem parte dos R$ 60 milhões injetados na economia do Planalto – onde está o restante dos 50 mil ha da região.
Um dos mercados importadores são os Estados Unidos, cuja preferência recai sobre o café orgânico e produzido pela agricultura familiar. Toda essa geração de riqueza pode ser liquidada pelas mudanças climáticas, daí a preocupação dos pesquisadores em antecipar-se aos prováveis impactos decorrentes do aquecimento global na cultura do café.
O primeiro grupo de pesquisadores esteve na região em setembro e foi recepcionado pelo secretário municipal de Agricultura de Barra do Choça, Ubirajara Amorim.
“Técnicos da Embrapa Semiárido, de Petrolina, e um engenheiroagrônomo da Chesf nos visitaram para implantar experimentos de café irrigado”.
Arábica
O clima atípico produz situações adversas ao longo do ano. De abril até final de julho, por exemplo, os ventos fazem a temperatura baixar até 8 graus centígrados.
“Para o café, é ideal, porque a média fica em torno de 22 graus”, explica Amorim. “Nosso café é da variedade arábica e é favorecido por esse clima”, frisa o secretário.
Amorim observa que, em médio prazo, o aumento da temperatura na região está afastado. Estudos afirmam que a temperatura acima de 34 graus Celsius afeta o desenvolvimento da planta e aborta a floração.
“O que pode nos afetar futuramente são mudanças climáticas que diminuam os períodos chuvosos, fazendo com que as chuvas, em vez de distribuídas ao longo do ano, concentrem-se apenas num determinado período”.
Em períodos atípicos, como os “veranicos” de dois a três meses, o cafeicultor é obrigado a entrar com irrigação de salvamento para salvar a planta. O veranico é um fenômeno meteorológico comum nas regiões meridionais do Brasil.
Ciclo Normal
A próxima safra de café no Planalto de Conquista será menor que a dos dois anos anteriores, mas, ao contrário do que se possa imaginar, nada tem a ver com mudanças climáticas. Quem sustenta é o presidente da Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense (Coopmac), Claudionor Dutra. Pelos dados da cooperativa, o Planalto de Conquista deve colher 700 mil sacas contra as 850 mil de 2006 e cerca de um milhão em 2005. “Está dentro do ciclo normal.
Este ano é de ciclo baixo no Brasil inteiro, então nada tem a ver com mudança climática”, informa.