A conquista do oeste com o milho
A conquista do oeste com o milho
O primeiro contrato de 50 mil toneladas de milho, fechado com os Estados Unidos para a fabricação de etanol, está repercutindo positivamente entre os produtores da região. Segundo estimativas da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), os negócios com o cultivo devem ampliar a área em pelo menos 10% na safra 2007/2008. O primeiro contrato internacional do milho do cerrado baiano foi assinado na modalidade de mercado futuro, o que significa que o produto só será entregue em maio de 2008.
Na última safra, quando a região plantou milho em 166 mil hectares, a produção foi de 1,20 mil toneladas, com uma produtividade média de 121 sacas de 60 kg por hectare.
Esse número representou um aumento de 80,6% da produtividade, haja vista que, em 2006, a média colhida foi de 67 sacas por hectare devido às más condições climáticas da região.
A região do cerrado baiano é responsável por 50% do milho produzido em todo o Estado, segundo dados da Aiba. Até a safra 2006/2007, o principal destino do milho colhido no oeste sempre foi o Nordeste do Brasil, para alimentação humana e fabricação de ração animal.
Número Histórico
De acordo com o economista e corretor de commodities Raimundo Santos, "os Estados Unidos são os maiores exportadores mundiais de milho, com número histórico de produção de 80 milhões de toneladas ao ano. Por causa disso, dentre outros fatores, os preços do mercado internacional não eram atrativos aos produtores baianos".
Para o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz, esse primeiro contrato internacional do milho baiano se deve exclusivamente à utilização do produto americano para a fabricação de etanol. "Por isso está começando a faltar milho por lá, e o Brasil tem todas as condições de suprir esta neMaia, acrescentando que, com o sistema de Plantio Direto na Palha, a rotação é uma técnica obrigatória para promover um equilíbrio maior nos cultivos.
Potencial
O milho é uma gramínea, com características bem diferentes da soja e do algodão, as principais culturas do cerrado baiano que, na última safra, ocuparam 850 mil hectares e 276.355 hectares, respectivamente. Portanto, apesar da recomendação agronômica, do total cultivado no cerrado na última safra, a cultura do milho, com 166 mil hectares, representou 10% da área plantada, enquanto que o ideal seria pelo menos 300 mil hectares.
Com potencial maior para diminuir pragas, especialmente as do solo, como os nematóides, o milho é indicado também para a formação de palhada, necessária para o Plantio Direto (PD). "O milho é a cultura-mãe da rotação de culturas", diz o engenheiro Ivanir Maia, enfatizando que isso é consenso entre os técnicos.
O Plantio Direto, que visa à sustentabilidade dos solos e das águas, tem um sistema denominado Santa Fé, onde o produtor planta capim entre as fileiras de milho e depois que colhe o grão, deixa o gado entrar na área para se alimentar.
"Neste sistema, no ano seguinte, o produtor pode plantar a soja ou algodão e terá excelente rendimento, pela disponibilidade de nutrientes por conta da matéria orgânica encontrada neste solo", ressalta o engenheiro agrônomo.
De acordo com o diretor-executivo da Aiba, Alex Rasia, os principais entraves para o crescimento de área do milho nos anos anteriores são problemas de logística "e a falta de organismos governamentais de regulação de preços que coloquem a Bahia em paridade com os Estados do Centro-Oeste", diz.
Entretanto, a sinalização do interesse do mercado internacional sobre o produto pode ser um estímulo à intenção de plantio, "principalmente porque a região do cerrado baiano tem grande potencial climático para se tornar um dos principais produtores de milho do País", acredita o diretor da Aiba.
Santa Cruz considerou que o preço de US$ 10 por saca de milho estabelecido neste contrato é bom para o mercado local, que, na semana passada, estava negociando o produto no mercado interno a R$ 24 a saca de 60 kg. Na safra agrícola 2006/2007, o custo para a implantação de um hectare de milho foi de R$ 1.421, e os insumos representaram 70,4% do valor.
Aproveitamento
A rotação de culturas é uma estratégia para melhor aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e a redução de incidência de pragas, doenças e plantas daninhas. De acordo com o consultor de agronegócios e engenheiro agrônomo Ivanir Maia, normalmente se preconiza a renovação de cultura a cada três anos.
"O ideal é trabalhar com três culturas, cada ano plantando uma delas e fazendo o revezamento".
Maia explica também que os nutrientes do solo utilizados por uma determinada cultura são diferentes daqueles usados por outra. Daí a importância do agricultor ir mudando a cultura, não apenas para quebrar os ciclos de pragas e doenças, mas também por uma questão econômica.
"Neste aspecto, o produtor gasta menos com produtos químicos, fertilizantes e defensivos, tornando a terra mais produtiva", salienta Maia, acrescentando que, com o sistema de Plantio Direto na Palha, a rotação é uma técnica obrigatória para promover um equilíbrio maior nos cultivos.