Consumo de carne imprópria persiste
A apreensão recente de 500 quilos de carne bovina, sem indicação de procedência e nota fiscal, na BR-101, em Itabuna, atesta que a população do sul da Bahia ainda consome carne imprópria. Isso acontece por conta de irregularidades no abate e na comercialização.
Os abatedouros clandestinos proliferam. É também comum a venda de carnes em barracas de feiras e em açougues, expostas à poeira, às moscas, sem nenhuma higiene ou conservação.
Nem mesmo em Ilhéus e Itabuna, as duas maiores cidades regionais, cumprem a Portaria nº 304 do Ministério do Abastecimento e Reforma Agrária, que normatiza o abate, ao exigir que os animais sejam observados por veterinários por 48 horas e, depois de abatidos, conservados em temperatura abaixo de sete graus.
Segundo o gerente regional da Agência de Desenvolvimento Agropecuário da Bahia (Adab), João Carlos Oliveira, nas duas cidades não há frigorífico para abrigar toda a carne abatida no matadouro municipal. “Há iniciativas de empresas privadas, como a de uma rede de supermercados, que mantém um frigorífico para abate de 120 animais/dia. A rede está abrindo o espaço, na parte da tarde, para outras empresas, mas essa oferta é pequena, para dos dois municípios, que têm quase 500 mil habitantes”, diz João Carlos.
Ele também cita um grupo de Itabuna que quer construir um frigorífico, nos moldes do que funciona nos municípios de Amargosa e Santo Antônio de Jesus. João Carlos destacou que a pecuária desenvolve papel importante na economia regional e que sua função é estimular o empresariado a se enquadrar às normas de qualidade para os produtos que oferecem.
Mas, além desses problemas, ocorrem outros em relação aos próprios matadouros, que precisariam se adequar às normas de vigilância sanitária. Recentemente, o Ministério Público (MP) de Ilhéus interditou o matadouro do município, no bairro de Banco da Vitória, por abate clandestino de suínos em parte de sua área, além de despejar resíduos sólidos do abate bovino no Rio Cachoeira, prejudicando o meio ambiente.
No local, são abatidas por dia 150 cabeças de gado, destinadas às redes de supermercados, açougues, à Central de Abastecimento de Ilhéus e ao bairro de Olivença.
O MP destaca que a interdição ocorreu também porque o abatedouro vinha funcionando desde 1989 sem licenciamento ambiental.
A reabertura ocorreu recentemente, mas o local vem operando com uma licença provisória, expedida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
IRREGULAR –Por conta das muitas irregularidades, a apreensão e a incineração de carnes diversas têm sido práticas da Vigilância Sanitária na área urbana em Ilhéus e Itabuna. Nas estradas, a ação da Polícia Rodoviária Federal, parceira da Adab, também tem feito apreensões, como os 500 quilos de carne bovina clandestina, que não tinham identificação de inspeção e documento fiscal.
O produto estava sendo transportado, no último dia 23, da cidade de Buerarema para uma churrascaria de Itabuna, localizada à margem da rodovia, em um veículo Fiat Strada, placa JMR-5359, conduzido por Dilson Almeida Lima Filho. Toda a mercadoria foi encaminhada à Vigilância Sanitária, pela Adab, que fez a incineração no dia seguinte. A Agerba também vem agindo, nas rodovias, fazendo a revista de bagageiros de ônibus, por onde passam muitos produtos clandestino