Estrangeiros vão às compras e elevam cotações das terras
No último bimestre, valorização das propriedades aumentou em dois pontos percentuais. A entrada de fundos de investimentos na compra de terras no Brasil foi o grande diferencial deste mercado no último bimestre. Segundo estudo do Instituto FNP, as propriedades rurais valorizaram-se 17,3% em 12 meses. Em relação ao levantamento anterior - de maio e junho - o acréscimo foi de dois pontos percentuais. Destaque para o Centro-Oeste, que passou de um aumento de 17,9% para 23%, superando o Sudeste na alta dos preços das terras em 12 meses.
Em média, um hectare custa R$ 3,6 mil no País. Em janeiro eram R$ 3,2 mil - acréscimo de 11,9%. Em 36 meses, o aumento foi de 14,1%. Em todas as comparações, o investimento em propriedades superou a inflação do período. As lavouras de cana-de-açúcar e de grãos são as principais responsáveis pelas cotações mais elevadas das áreas.
"Os fundos estão dando liquidez ao negócio", afirma Jacqueline Bierhals, analista do instituto. Segundo ela, muitos têm atuado para ter ganhos imobiliários, ou seja, comprar terras baratas para venderem posteriormente, uma vez que o momento é de valorização das propriedades. De acordo com o estudo, os investimentos têm ocorrido em regiões de fronteira. Mato Grosso, Bahia e a região denominada Mapito - Maranhão, Piauí e Tocantins - são os que recebem mais estrangeiros. Nestas localidades, são exemplos as regiões de cerrado de Araguaína (TO) e Alto Araguaia (MT), valorizam-se 99,3% e 117,7%, respectivamente, em 12 meses, e de Codó (MA), com 143,4%.
A entrada dos fundos explica também, em parte, a valorização maior do Centro-Oeste em relação ao Sudeste, na comparação com o bimestre anterior. Um hectare custa R$ 2,8 mil no Centro-Oeste e R$ 6,9 mil no Sudeste. Desde janeiro, os preços das propriedades nestas regiões aumentaram 17% e12%, respectivamente. "A maior valorização no Centro-Oeste decorre dos investimento em cana-de-açúcar na região e também do melhor momento dos grãos", avalia Jacqueline. Segundo ela, é comum uma propriedade ser cotada em sacas de soja - produto que este ano, no mercado internacional teve valorização de 50%.
Ela acrescenta ainda que, apesar de tendência de valorização das propriedades para os próximos meses, os dados do Sudeste mostram que já há uma estabilização. No acumulado dos últimos 12 meses, os preços das terras na região aumentaram 21% - mesmo índice do bimestre anterior. "Os preços chegaram ao limite em muitas localidades", diz. Há nove meses que a cotação média do hectare no Sudeste é superior à do Sul - tradicionalmente a região que tinha o maior preço nacional. Um hectare em São Paulo pode sair até por R$ 22 mil.
O estudo mostra que sete das 10 maiores valorizações dos últimos 12 meses no País foram as mesmas no período de 36 meses, com destaque para o Amapá, onde o hectare tem um custo baixo. Por outro lado, entre as maiores desvalorizações, estão propriedades pecuárias.