Oeste sente mais os impactos da seca

01/10/2007

Oeste sente mais os impactos da seca


A safra de café 2006/2007 na Bahia deve chegar a 1,830 milhões de sacas, o que significa uma queda de pelo menos 19% ante a safra anterior, segundo dados da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri). A diminuição na produção é decorrente da prática de podas drásticas (recepa), substituição do café pelo eucalipto e a bianualidade negativa – a queda sazonal da produção dos cafeeiros. Ainda contribuíram para o quadro altas temperaturas na região oeste do Estado. A região planta o café de maneira irrigada, e penou, por conta da alta evaporação.

Quando considerado o café beneficiado, a queda na produção baiana é de pelo menos 10% (ver quadro na página 7), por conta da perda de 7,3% na produtividade anual, que chegou a 21,35 sacas por hectare na safra 2006/2007. Apesar da performance, a Bahia conseguiu manter a quarta posição no ranking de Estados produtores de café do País, conforme explica o especialista no setor e coordenador do Programa Café, empreendido pela Seagri, Ramiro Souza. “A questão da bianualidade teve reflexo no País inteiro, e, em relação à média nacional, os efeitos na Bahia foram moderados”, aponta Souza. Ele avalia que a quebra na safra brasileira chegou a pelo menos 23%, o que empurrou para baixo a produção média de 42 milhões de sacas em anos anteriores para cerca de 32 milhões de sacas na safra 2006/2007.

O presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), Sílvio Leite, avalia que já era previsível a redução da safra em 2007, por conta dos fatores sazonais, mas o clima pesou no resultado final do desempenho da safra brasileira.
“Os efeitos mais duros da seca foram sentidos no Sul do País, principalmente em Minas Gerais, que chega a concentrar 50% da produção nacional”, avalia Leite. O presidente ainda adiciona que a perspectiva é que a produção se recupere na próxima safra.

O mercado captou a queda na safra brasileira. Nos últimos dez pregões até a segunda-feira passada, o café acumulou alta de pelo menos 15%, na Bolsa de Nova Iorque.
Neste caso, vale a lei da oferta e procura. Com a queda na produção do País, maior produtor mundial, a tendência foi que o mercado internacional se ressentisse do tropeço brasileiro, por conta da carência do produto no mercado, algo que turbinou as cotações no segmento.