Bahia vai exportar milho a partir de 2008

08/10/2007

Bahia vai exportar milho a partir de 2008

 

A agricultura baiana irá testemunhar, no próximo ano, a realização da primeira exportação de milho do estado. Segundo informações da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), um lote de 50 mil toneladas do grão já foi negociado para a próxima safra. Os contratos, de acordo com o diretor executivo da entidade, Alex Rasia, foram fechados no patamar de US$10 a saca, valor considerado bom pelo mercado, sen. do que a entrega do produto está programada para maio de 2008

Na avaliação do dirigente, o início dessa comercialização em âmbito internacional é reflexo dos efeitos provenientes da utilização do grão para a produção de etanol nos Estados Unidos. "O milho é um dos cereais mais consumidos para alimentação 11~ mundo. Contudo, se uma parte dele passa a ser direcionada para outra finalidade, isso vai estimular o surgimento de um no. vo mercado para suprir justamente essa nova demanda", explica.

O segmento americano continua mantendo a liderança nesse campo, sendo o primeiro exportador mundial do grão, como histórico número de 80 milhões de toneladas. Apesar da inclusão do produto na carteira de exportações do território baiano, Rasia salienta que ainda é cedo para dizer, com precisão, se essa mudança no cenário externo irá aumentp.r a área plantada na Bahia. "O volume que será exportado é significativo. Entretanto, é preciso esperar um pouco mais de tempo para saber como essa operação irá refletir no setor. De qualqÚer forma, será um estímulo ao plantio'" confessa.

Conforme dados da Aiba, a atividade tem registrado, no comparativo das últimas safras, índices expressivos de crescimento em termos de área e de produtividade. O oeste baiano, principal região produtora no estado, contabilízou, na safra de 2007, a marca de 1 ,2 milhão de toneladas - mais que o dobro do montante apurado no balanço do ano passado, quando foram produzidas 506 mil toneladas. "Durante esse intervalo, a área plantada também cresceu, passando de 126 mil para 166 mil hectares. Da mesma forma, a produção média, que era de 67 sacas por hectare, saltou para 125 sacas", informa.

Mesmo com os bons resultados, Alex salienta que esse incentivo ao cultivo do grão ainda não esconde o fato da cultura conviver com alguns obstáculos à sua ampliação e comercialização. Entre os entraves relatados, estão problemas crônicos de logística e a falta de mecanismos governamentais de regulação de preços, os quais poderiam colocar o segmento local em paridade com outras .regiões, como os estados do Centro Oeste. "Na Bahia, por exemplo, não hápossibilidade de fazer a chamada safrinha, como acontece no Mato Grosso, onde chove muito e é pqssível colher soja e semear o milho na mesma área. A questão é que aqui existe uma safra única", esclarece.