Frutas alavancam renda no Vale do São Francisco

18/10/2007

Frutas alavancam renda no Vale do São Francisco



A fruticultura exportadora do Vale do São Francisco, em alta no ano passado, deixou Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) entre os municípios de maior renda agrícola do país, de acordo com a pesquisa "Produção Municipal Agrícola 2006", divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o avanço, a renda dos principais vértices do maior pólo nordestino de frutas superou a de grandes e tradicionais produtores de soja do Mato Grosso, como Sorriso, Campo Novo dos Parecis e Campo Verde. 


A pesquisa mostra Juazeiro em quarto lugar no ranking municipal de valor de produção agrícola. No total, o montante alcançou R$ 520 milhões, 56,3% mais que em 2005, quando o município ficou na 18ª posição no ranking. Somente na fruticultura, a alta no valor da produção foi de 66,5%. Petrolina, do outro lado do rio São Francisco, saltou do 14º lugar em 2005 para a sexta posição em 2006. O resultado do ano passado (R$ 431 milhões) foi 18,6% superior ao observado em 2005. 


"No Vale do São Francisco, a terra e a mão-de-obra são mais baratas e os governos estaduais oferecem incentivos. Além disso, clima, solo e água disponível favorecem a produção, que também é ajudada pelas técnicas de irrigação", afirmou o analista da coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alfredo Guedes. 


O aumento do valor da produção na região, ressaltou Guedes, tem relação com o valor de mercado das frutas, superior ao da soja, por exemplo. Até porque a área plantada é inferior aos de municípios tipicamente produtores de grãos. Outro fator que levou ao crescimento da renda agrícola de Juazeiro e Petrolina foi o aumento significativo dos preços das frutas. Em Juazeiro, a manga registrou aumento de preço de 15,5% e a uva, de 30,5%. 


No ano passado, Petrolina foi o maior produtor de uva do país, ultrapassando Bento Gonçalves (RS), que caiu para a segunda posição, seguido por Juazeiro. "No Vale do São Francisco, o sol durante todo o ano do semi-árido permite que o plantio e a colheita sejam feitos sem interrupções através da irrigação. No Sul, a produção precisa do frio, que só acontece uma vez por ano", afirmou o técnico do IBGE. 


Fora do Vale do São Francisco, mas também no Nordeste, São Desidério deteve a maior renda agrícola entre os municípios do país em 2006, como já havia informado o IBGE em julho. Localizado no oeste da Bahia, São Desidério elevou a aposta no algodão herbáceo e diminuiu o ritmo da produção de soja, cujos preços estavam em queda em 2006. 


Com isso, o município foi o maior produtor de algodão do país no ano passado - 12,9% do total nacional - e acumulou R$ 709 milhões em valor de produção. Mais da metade de sua produção agrícola (52,8%) concentrou-se no algodão, enquanto a soja correspondeu a 31,2%. 


No ano passado, os municípios produtores de soja e milho, que puxam a safra de grãos e com isso proporcionam as maiores rendas agrícolas consolidadas do país, foram afetados tanto pelo preço da soja em baixa como pela redução da produção de milho. Os técnicos do IBGE ressaltam que a valorização do real em relação ao dólar nos últimos anos reduziu a margem de lucro dos produtores destes municípios, principalmente os da região Centro-Oeste, cujos custos de frete para exportação são maiores. 


Com isso, Sapezal (MT), que em 2005 deteve a maior renda agrícola do país, alavancada por soja e milho, perdeu 39,1% do valor de produção em 2006 e caiu para o segundo lugar no ranking geral, seguido por Sorriso (MT), maior produtor de soja do país. Já Campo Verde (MT), outro grande celeiro de grãos, tombou da segunda posição para o sétimo lugar, ao amargar retração de 52,5% no valor de sua produção.