Produtores negam que preço da soja estimule desmatamento

18/10/2007

Produtores negam que preço da soja estimule desmatamento

 

 

Para entidades do setor não há relação entre o plantio do grão e a devastação do bioma amazônico. O setor produtor e exportador de soja considerou tendenciosa declarações feitas por Organizações Não-Governamentais e por diretores do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de que o aumento do desmate na Amazônia tem relação direta com o plantio de soja, cujas cotações tiveram recuperação este ano. A Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reforça que o setor irá cumprir o pacto da Moratória da Soja não adquirindo o grão de novas áreas desmatadas no bioma amazônico. "Nesta safra o sistema de monitoramento via satélite e por terra estará implantado para mapear os sojicultores que infringirem o pacto", avisa Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove.
Para ele, a informação foi divulgada de forma "um pouco tendenciosa" considerando um período relativamente curto - quatro meses - com o mesmo período de 2006, ano em que o desmatamento no bioma foi um dos menores da história, ou seja, sob uma base pequena.
Segundo o Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), feito pelas ONGs Imazon e Instituto Centro de Vida (ICV) e que monitora passo-a-passo o movimento de desmate no bioma, o corte de floresta em Mato Grosso - maior estado sojicultor do Brasil - vem crescendo desde junho, atingindo em agosto o maior valor do quadrimestre: 262 quilômetros, 147% mais que no mesmo mês de 2006.
O diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro, afirmou ontem que considera muito improvável que o desmate seja causado por produtores de soja. Isso porque, segundo ele, há 1 milhão de hectares que já foram cultivados com a oleaginosa e que encontram-se, no momento, sem uso para soja, por conta da crise agrícola das últimas três safras. "Essa área - equivalente a 20% da lavoura ocupada com soja - já está pronta para a atividade. Causa surpresa ver produtores investindo em derrubadas sendo que há área disponível para retomada", diz Monteiro.
Além disso, reforça ele, os números divulgados precisam ser melhor entendidos, porque desmatamento no Brasil não é ilegal. "No bioma amazônico, a lei permite o desmate de 20% da área, ou seja, a manutenção de uma reserva legal de 80%, desde que o licenciamento seja solicitado aos órgãos ambientais competentes", lembra.
Não é soja, diz ONG
O pesquisador titular da ONG Imazon, Adalberto Veríssimo, diz que é incontestável que o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, no entanto, a partir da avaliação dos municípios mais atingidos, acredita que a soja tenha pouca participação nesse movimento. "Em Mato Grosso, onde o desmatamento foi maior, predomina a suspeita sobre a pecuária e o setor madeireiro, pois é esse o perfil econômico das regiões onde mais se retirou árvores", afirma Veríssimo. "A soja está bem vigiada. Acho difícil o produtor sair desmatando. O problema é que MT é o maior produtor e qualquer desmatamento é relacionado com a soja", acrescenta.
Segundo o Imazon, 2007 seria o terceiro ano de queda consecutiva no desmate no bioma amazônico, que em 2006 atingiu os menores índices dos últimos anos, justamente o ano usado como base de comparação do levantamento de 2007.
A assessoria do MMA foi procurada ontem mas não quis se pronunciar.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Fabiana Batista)