Soja encolhe, mas ainda é o carro-chefe
Impulsionada pelo grande interesse mundial pelo etanol e ancorado pelo maior consumo interno com a enxurrada de carros flexfuel no mercado, a renda agrícola da cana-de-açúcar encostou na renda da soja no ano passado, segundo a pesquisa de produção agrícola municipal do IBGE.
Em 2006, a participação da cano valor da produção agrícola brasileira subiu para 17,3%, puxada por municípios produtores do Estado de São Paulo. Em 2005, a fatia foi de 13,8%. "Houve aumento na área plantada de cana e investimentos em novas usinas", disse o analista da coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alfredo Guedes.
Depois da escalada, o valor da produção canavieira cresceu 29% em 2006, atingindo R$ 17 bilhões, em razão da expansão de 8,1% na produção e da alta de preços. Morro Agudo (SP) foi o município a apresentar o maior valor de produção de cana do país.
A pesquisa do IBGE revela, ainda, um forte avanço da área plantada da cana-de-açúcar no Brasil, especialmente em São Paulo, Estado responsável por 59% da produção nacional. "O avanço se deu sobre algumas lavouras e, principalmente, em áreas de pastagens", observou. Entre 2004 e 2006, o Estado perdeu 174 mil hectares de outras lavouras e aumentou a área de cana em 332 mil hectares. Movimento semelhante ocorreu em Minas, onde os canaviais cresceram 97 mil hectares e as outras lavouras ocuparam 176 mil hectares a menos.
Para os técnicos do IBGE, a expansão da área plantada de cana no Brasil foi facilitada, em parte, pelos baixos preços internacionais da soja e pelas condições climáticas desfavoráveis nas principais regiões produtoras, o que deixou diversos produtores endividados.
Apesar disso, a soja encerrou 2006 ainda como carro-chefe da agricultura brasileira, mas com participação de 18,8% no valor da produção nacional. Em 2005, o percentual foi de 22,8%. (APG)