Eventual fusão de Perdigão e Eleva agrada a produtor

22/10/2007

Eventual fusão de Perdigão e Eleva agrada a produtor


Apesar das ressalvas contra a redução da concorrência que resultará da eventual fusão entre Perdigão e Eleva, representantes de produtores de leite e suínos do Rio Grande do Sul receberam a notícia sobre a operação com certo grau de otimismo. Eles esperam que, sob o comando da Perdigão, a política de preços e de relacionamento com os integrados e fornecedores seja melhor do que a praticada pela Eleva. 

No segmento de aves, o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag), Sérgio de Miranda, acredita que o tratamento aos produtores não sofrerá grandes alterações. "No geral a situação não muda muito de empresa para empresa", afirma. 

Já no setor leiteiro, as cooperativas esperam uma relação mais amigável, com mais apoio técnico, comunicação e pressões menores pela queda dos preços. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o descontentamento com a atuação da Eleva foi um dos principais motivos que levou 18 cooperativas gaúchas a se unirem com a central CCGL para, até maio de 2008, colocar em operação uma planta para processar 1 milhão de litros por dia. 

Os desacertos com a Eleva incluem até a coleta de leite em rotas sobrepostas, o que diminui a escala e a rentabilidade das cooperativas. A empresa é a maior beneficiadora de leite do Estado, com 421,8 milhões de litros captados no primeiro semestre deste ano, quando o segmento de lácteos representou 55,8% do faturamento bruto da empresa, de R$ 1,147 bilhão. 

"A competição ficará mais dura mas não vamos desistir do nosso projeto", afirmou o presidente da CCGL, Caio Vianna. Segundo ele, a nova planta receberá investimentos de R$ 120 milhões, parte com financiamento avalizado pelas cooperativas, e será destinada à produção de leite em pó. A central beneficiava leite até 1996, quando vendeu seus ativos industriais para a ex-Avipal, hoje Eleva. 

No segmento de suínos, a Perdigão, que tem frigorífico em Marau, paga em média R$ 14 a R$ 16 por animal entregue aos integrados (que só entram com mão-de-obra e instalações), ante R$ 10 a R$ 13 da Eleva, que industrializa o produto em Lajeado, relata o presidente da associação dos produtores, a Acsurgs, Valdecir Folador. Ele espera que a Perdigão mantenha a sua política de remuneração após a conclusão do negócio. 

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips), as duas empresas responderam, em setembro, por 17,1% dos abates locais de 500,7 mil cabeças. A Alibem ficou com outros 17%, a Doux-Frangosul com 12% e a Sadia, com 10%. O presidente da Acsurgs estima que Perdigão e Avipal reúnem, juntas, cerca de 1 mil criadores integrados, ou 10% de todos os produtores do segmento no Estado. 

Segundo a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) há cerca de 40 mil criadores integrados de aves no Rio Grande do Sul, mas a entidade não divulga a produção por empresa. As estatísticas da União Brasileira de Avicultura (UBA) indicam que Perdigão e Eleva, juntas, foram responsáveis por 16% dos abates totais no país em 2006, de 4,4 bilhões de cabeças, ante 14,7% da Sadia. 

Há ansiedade também entre os investidores para saber os termos da fusão. Segundo analistas, o mercado está na expectativa para saber qual será a relação de troca entre as ações de Perdigão e Eleva. De qualquer forma, negociação foi bem recebida por investidores. Na sexta-feira, os papéis ON da Perdigão subiram 2,58% e os ON da Eleva, 19,21%. Já as PN da Sadia caíram 3,6%. Na semana passada, antes do anúncio da negociação, as ações de Perdigão e Sadia vinham em alta. Na quinta, dia do anúncio, o valor de mercado de Perdigão e Eleva juntas alcançava R$ 8,81 bilhões, segundo o Valor Data, superando os R$ 7,86 bilhões da Sadia. Na sexta, alcançou R$ 9,23 bilhões, enquanto o da Sadia caiu para R$ 7,6 bilhões. (Colaborou AAR)