Produtores de caju perdem parte da colheita no Oeste

22/10/2007

Produtores de caju perdem parte da colheita no Oeste

 

Em Barreiras (870 km de Salvador), no Projeto de Irrigação Barreiras Norte, mais de 20 fruticultores estão com a plantação de caju em plena colheita, mas perdendo boa parte da produção. Ao todo, são quase 60 hectares de caju, e a produtividade por hectare chega a quase três toneladas ao ano.
O Pólo de Fruticultura de Barreiras, que compreende os perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) – Barreiras Norte, Barreiras Sul, Riacho Grande e Nupeba e os municípios de Riachão das Neves e São Desidério – é responsável por grande parte das frutas comercializadas no mercado local.
O problema enfrentado pelos agricultores que apostaram no cultivo do caju é o aproveitamento do pseudofruto (a fruta propriamente dita é a castanha), que só é feito de forma in natura e, assim, falta mercado para a comercialização do produto, que se perde com muita facilidade.

Contrato

Com uma área de, aproximadamente, 11 hectares de caju, e uma produtividade de quase 400 caixas por área plantada, o produtor Dirceu Prediger conseguiu, ano passado, colher cerca de 800 caixas, dobro do alcançado este ano. Ele trabalha com a cultura há quase seis anos e diz que só consegue vender o produto porque tem contrato com a Ceasa (Centro de Abastecimento) de Brasília.
“Todos os dias sai carga e eu perco pouco caju, mas a realidade dos demais produtores aqui no projeto não é essa. Se não investirem ou criarem uma indústria de polpa, essa cultura vai sumir das áreas, porque ninguém vai querer mais cultivá-la”, explica o produtor, que vende uma caixa de 1,4 kg por R$ 4,80, valor que o mercado de Barreiras não pagaria, afirma.
Para o agricultor Antônio Veloso, que tem três hectares plantados do fruto e colhe 20 caixas de 20 kg cada uma, a produção é boa, mesmo sendo pequena se comparada com a procura que teve. Ele investiu pouco nesta safra por conta das perdas que teve no ano passado.
Hoje, mantendo em sua propriedade outras variedades de fruta, tem feito experimentos com o caju. Além dos doces que a esposa, Etiene Veloso, faz, está preparando um vinho à base de caju. A princípio, Veloso não pensa em ampliar a produção da bebida por conta da falta de estrutura e também por não poder investir ainda no produto, mas são planos para o futuro.
“Espero que este experimento deixe de ser um sonho e vire realidade; assim teremos uma alternativa para não jogarmos fora o caju que se perde tão fácil em nossas plantações. Mas isso será estudado direitinho mais pra frente. Estou fazendo algumas consultorias, vendo quanto preciso investir, equipamentos necessários, enfim, precisamos elaborar um projeto para fazer algo dentro das minhas possibilidades”, diz o produtor.

Industrialização

 Uma das maneiras de resolver o gargalo das perdas é a industrialização das frutas na própria região para, depois, gradativamente, ir vendendo durante o ano em forma de polpa, suco ou doces. Entretanto, de acordo com o diretor de comercialização da Cofrutoeste (Cooperativa dos Fruticultores do Oeste da Bahia) Yuan Tiem Hsiang, “esse investimento é bastante alto e a cooperativa não está bem atualmente para alavancar isso”, explica Hsiang, ressaltando ainda que a cooperativa se encontra inadimplente e os cooperados, descrentes na mudança desse quadro de dívidas e da falta de comercialização.

Alternativas

 O Sebrae, em parceria com os pequenos agricultores do Projeto Barreiras Norte, tem desenvolvido uma série de atividades para reaproveitar as frutas.
“Resolvemos organizar um grupo de mulheres para que elas pudessem produzir doces visando não só ao aproveitamento das frutas, mas como uma forma de agregar renda às famílias”, disse Ana Paula Barreto, do Projeto de Fruticultura do Sebrae em Barreiras.
O grupo, com mais de dez mulheres, está se organizando aos poucos para ganhar o mercado através da comercialização de doces, que, por enquanto, são feitos de forma artesanal.Se o grupo se organizar, a tendência é que seja criada uma marca.
As mulheres que se revezam entre as tarefas do lar e a produção de doces acreditam que o projeto tem tudo para dar certo.