Produtores procuram ampliar rentabilidade
São Paulo. O Brasil consolidou nos últimos anos a maior rentabilidade e o menor custo do mundo em celulose, o que transforma o País em importante fornecedor no mercado internacional. Agora, as fábricas têm pela frente o desafio de elevar a rentabilidade do papel, transferindo para o produto o baixíssimo custo da celulose, que tem garantido ao País investimentos tanto das empresas locais quanto de multinacionais, como Stora Enso e International Paper (IP). Nesse caso, cada uma define sua estratégia entre fazer aqui o papel ou usar o Brasil como base de fornecimento de celulose para outras partes do globo.
- Cada empresa traça sua estratégia. Se você tem sua produção de celulose integrada à de papel passa para ele toda a alta rentabilidade. Outras empresas vão preferir produzir sem serem integradas e fazer seu papel com a celulose de outros - disse o diretor de finanças e relações com investidores da Votorantim Celulose e Papel (VCP), Valdir Roque. Para o executivo, essa aposta tem de ser bem calculada "porque envolve muito dinheiro construir novas fábricas de celulose e papel".
Em uma parceria com a VCP, a americana IP optou por abastecer sua máquina de papel em Três Lagoas (MS) com celulose que a empresa do grupo Votorantim produzirá no local.
- Passaremos à IP um custo caixa muito baixo e teremos um cliente cativo - completou Roque. Hoje, a VCP tem um custo caixa de celulose de US$ 240 por tonelada. A IP já está fabricando no Brasil e enviando aos Estados Unidos sua marca mais famosa naquele mercado, a Hammermill, de papel de imprimir e escrever.
Já a sueco finlandesa Stora Enso, outra gigante do papel, deverá optar por levar a celulose que produzirá no Rio Grande do Sul e no Uruguai, das quais ainda está formando as florestas e preparando o projeto das fábricas, para suas unidades na China e Europa. Segundo o vice-presidente da empresa na América Latina, Otávio Pontes, é uma verticalização de produção mundial a partir do baixo custo da celulose daqui.
- Não dá para a cadeia ficar gorda só em uma parte, temos de igualar a rentabilidade. A do papel está estagnada, enquanto a da celulose cresceu muito.
A celulose hoje tem uma margem de até 46%, caso da brasileira Aracruz, maior em celulose de eucalipto no mundo. A diferença entre as margens da celulose e do papel estão entre 10 e 12 pontos percentuais. Essa diferença pode, a partir de agora, diminuir, disse o diretor financeiro da Aracruz, Isac Zagury.