Agência ainda não analisou leite à venda
A Parmalat divulgou nota ontem Informando ter encaminhado, como medida de segurança, mais de 50 amostras de leite de todo o País para análise em diversos laboratórios, inclusive o SFDK, em São Paulo, credenciado pelo Ministério da Agricultura e pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os testes, segundo a empresa, não indicaram “quaisquer problemas de qualidade”.
A Parmalat também informou ter descredenciado as cooperativas Casmil e Coopervale, investigadas pela Polícia Federal, que encontrou soda cáustica e água oxigenada no produto. Segundo a nota, o abastecimento no sul de Minas Gerais, onde estão as cooperativas, não será afetado.
Já a Anvisa informou não ter constatado adulteração em leite ou derivados nas prateleiras dos supermercados, pois ainda não recebeu denúncias. Segundo Denise Resende, gerente-geral de Alimentos da agência, haverá uma ação coordenada com o Ministério da Agricultura para checar as condições dos produtos.
“O citrato de sódio é um produto liberado no Brasil e não aparece nos itens industrializados. Não causa problemas à saúde. A água oxigenada tira a qualidade nutricional do produto. Deixa o leite mais ralo, mas sem qualquer dano à saúde”, disse. Segundo Denise, o problema está na soda cáustica, usada na limpeza de tanques e dutos, que provoca problemas gástricos.
Mas ela acredita que os riscos são baixos porque, quando o leite in natura chega à indústria, é feita uma série de testes capazes de detectar a presença do produto.
O Procon de São Paulo recomenda que os consumidores procurem a Anvisa (0800-61-1997) e os fabricantes se observarem que o leite está com cor ou sabor diferente.
Nesse caso, o Código de Defesa do Consumidor manda trocar o produto. O Ministério da Agricultura minimizou a extensão do impacto da adulteração do leite. Em nota oficial, afirmou que parte do produto vendido pelas duas cooperativas é de leite cru refrigerado, o que reduz os riscos de contaminação para o consumidor.
Bahia
É provável que a Bahia não seja o destino do leite adulterado, in natura ou de marca, avalia Paulo Emílio Torres, médico veterinário da Adab (Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia).
No Estado, existem 140 pequenas e médias indústrias de leite, todas sob a responsabilidade do Serviço de Inspeção Estadual. Paulo Emílio afirma que todas elas adquirem leite de produtores baianos.
"Essas indústrias recebem entre 3 e 4 mil litros de leite por dia, portanto, são pequenas, não seria vantajoso para elas comprar leite em outros Estados. Acredito que o leite adulterado não entrou na Bahia nem in natura, nem sob forma de marca. Isso porque as cooperativas mineiras comercializam com regiões mais próximas", afirmou Paulo Emílio. Nenhuma das indústrias de leite com SIE na Bahia tem linha de produção do leite longa vida, apenas do leite pasteurizado.
A Adab faz inspeções regulares e análise dos critérios físico-químicos do leite produzido no Estado.
Os tipos de adulteração mais comuns são adição irregular de água e teores de acidez.
O presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase), José Humberto Sousa, disse aguardar orientações para determinar o recolhimento do produto das prateleiras dos mercados. "Não recebemos qualquer comunicado, mas as marcas que tiveram o leite adulterado não são comercializadas na Bahia", disse.
Ontem, A TARDE entrou em contato com o Ministério da Agricultura para refazer o caminho do leite produzido nas cooperativas acusadas, mas a informação só estará disponível hoje.