Açucar deve se recuperar em 2010
A demanda atual pelo açúcar é intensa, por um lado devido ao crescimento demográfico mundial, que eleva também o consumo per capita. A cada ano, são vendidas 150 milhões de toneladas de açúcar.
Mas o açúcar não é comercializado apenas no setor alimentício. Da cana e da beterraba de açúcar também é produzido o etanol, que pode ser usado como substituto à gasolina. Países como o Brasil e os Estados Unidos já se deram conta do potencial desse mercado em crescimento. Na Alemanha, grandes fabricantes querem agora recuperar o tempo perdido.
A cada dia, especialmente durante a alta temporada, proprietários de automóveis lamentam os 50 a 60 euros necessários na Alemanha para encher o tanque de um veículo de classe média, seja com gasolina ou diesel. Agora, desde que o preço do petróleo ultrapassou a marca dos 70 dólares por barril, mais e mais empresas alemãs se interessam pelo etanol.
Brasil e EUA à frente
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Toyota Prius com motor híbridoA alemã Südzucker, líder européia no mercado de açúcar, produz a cada ano 260 mil metros cúbicos de bioetanol. Ao todo, são produzidos na Europa cerca de 3 milhões de metros cúbicos. Isso pode parecer muito, mas é pouco se comparado à produção dos Estados Unidos ou do Brasil, explica o diretor de marketing da Südzucker, Lutz Guderjahn.
"No Brasil, a gasolina já vem misturada com 20% a 25 % de etanol, sem que isso seja especialmente assinalado. E o motorista brasileiro também pode abastecer com etanol puro. Nos EUA, a percentagem de etanol na gasolina é de até 10%, dependendo do Estado. Na Europa, essas quotas são consideravelmente menores", lamenta.
"Atualmente, é permitido misturar até 5% de bioetanol em combustíveis. Gostaríamos muito que esse limite fosse ampliado, mas para isso dependemos da aprovação das indústrias automobilística e de mineração", explica.
UE estabelece meta até 2010
Segundo uma resolução da União Européia, até 2010 todos os combustíveis devem ser compostos por 5,75% de matéria-prima renovável. Além disso, montadoras de automóveis já oferecem veículos capazes de circular sem problemas com diversos tipos de combustível. Mas ainda não há postos suficientes que ofereçam biocombustíveis.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Fábrica da Südzucker em Zeitz, na Saxônia-AnhaltNo Brasil, mais de 70% dos carros zero, inclusive os fabricados pela alemã Volkswagen, são equipados com os chamados motores FlexiFuel, que funcionam com gasolina, uma mistura de gasolina e etanol ou etanol puro. Segundo Guderjahn, o Brasil reagiu rapidamente à crise do petróleo na década de 70.
"O Brasil lançou programas muito abrangentes, como o Proálcool, que através de fortes incentivos estatais acabou se tornando um eficiente programa de desenvolvimento de bioetanol. Nos Estados Unidos, considerações semelhantes acabaram levando à criação de tais programas desde os anos 80, mas mais intensamente nos anos 90", lembra Guderjahn.
"Na minha opinião, nós, europeus, realmente perdemos a oportunidade, simplesmente porque o preço do petróleo caíra consideravelmente na época e não havia mais urgência. Hoje, a situação é outra. Temos um renascimento de idéias que já existem desde os anos 70."
Südzucker quer expandir
Agora, a Südzucker não quer repetir o erro. A empresa constrói atualmente uma unidade de produção na Áustria e planeja expandir sua produção para a França e a Hungria, além de planejar uma refinaria para a Bélgica.
Mas sua maior unidade de produção está no Leste alemão. "Somos tradicionalmente muito ligados à Alemanha, inclusive devido ao acesso à matéria-prima. É impossível transferir uma plantação alemã para outro país. Aqui temos nossas raízes e daqui, do centro da Europa, queremos expandir."
Nos próximos anos, a companhia pretende investir cerca de 500 milhões de euros neste novo nicho. Tal fato se deve, entre outros, às novas diretrizes da UE para o setor açucareiro, que forçam tanto agricultores quanto industriais a repensar suas estratégias. No futuro, o preço garantido do açúcar cairá, principalmente para conter a superprodução subsidiada.