Etanol dobra cotação do óleo de milho

26/10/2007

Etanol dobra cotação do óleo de milho

 

São Paulo, 26 de Outubro de 2007 - A cotação desse óleo saiu de US$ 700 em janeiro para US$ 1,4 mil em outubro. Os biocombustíveis estão sacudindo o mercado de óleos usados para alimentação humana. Desde janeiro, os óleos de milho e de girassol dobraram de preço para exportação. O uso intensivo do milho americano para produção de etanol trouxe ao Brasil uma onda de compradores "órfãos". A grande produção de biodiesel no Brasil com óleo de soja também contribui para fortalecer os preços dos chamados óleos substitutos na alimentação humana, explica Denis Gannone, da consultoria Aboissa.
Em janeiro, a tonelada do óleo de milho era negociada entre US$ 680 e US$ 700 (FOB Santos), valor que em outubro está em US$ 1,4 mil.
A produção brasileira é de 85 mil toneladas, das quais, normalmente, 65% (55,2 mil toneladas) são embarcados ao exterior. "Este ano não conseguimos atender pedidos de cerca de 25 mil toneladas, pois a produção do óleo se manteve estável", conta Suellen Vianna, da Aboissa. Ela explica que a Europa é a maior compradora desse óleo do Brasil e está consumindo mais este ano seguida pelos países árabes. "O mercado interno não consome mais de 50 mil toneladas, pois tem preço muito alto nas gôndolas. Uma garrafinha de um litro custa R$ 6", diz Suellen.A maior demanda externa também causou alta no mercado doméstico, explica a analista. Em janeiro, a tonelada do derivado de milho valia R$ 2 mil (7% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, FOB Mogiguaçú, SP), valor que está em R$ 2,6 mil em outubro, alta de 30%, sendo que não há neste momento oferta disponível. "Há seis meses houve outro período de falta de produto", lembra Suellen.
A turbulência fez com que algumas empresas que usam esse óleo bruto como matéria-prima tivessem que investir em estocagem para fugir da alta. É o caso da Campestre, que teve que ampliar em 25% sua capacidade de armazenagem. "Se não tivéssemos feito isso, teríamos um custo 50% maior", diz Benny Cohen, gerente comercial.