Banana: premiada solução

29/10/2007

Banana: premiada solução

 

Um projeto de desenvolvimento de frutas tropicais desidratadas está gerando emprego e renda para mulheres e jovens de 321 famílias, espalhadas em dez núcleos de pequenos produtores, dos quais 80% são assentados que trabalham com agricultura orgânica.
Graças a um trabalho de parceria, fornecem os produtos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que assinou convênio com a Cooperativa de Pequenos Produtores Agroecologistas do Sul da Bahia (Coopasb), da qual são associados. Um bem-sucedido negócio é a bananapassa. Os produtores da Coopasb já receberam propostas até de compradores da Alemanha, Itália e Estados Unidos Também são parceiros no projeto o Incra e a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc-Rural), que ajudaram o grupo a implantar pequenas fábricas, chamadas de casas de agro-aproveitamento integral de frutas, pelo processo de desidratação. “Nas fazendas do sul da Bahia, ainda vigora o conceito de que só o cacau é cultura comercial, quando essas áreas são bosques com muitas fruteiras que poderiam gerar renda”, destaca Mera Costa, coordenadora-geral da Jupará, uma organização não-governamental que presta assessoria técnica à Coopasb.
Mera Costa ressalta a importância da parceria com o PAA, que agrega valor comercial a frutas antes desperdiçadas, gera renda para o trabalhador no campo e melhora a alimentação das crianças nas escolas.
Os agricultores optaram pelo processo de desidratação, para fugir das dificuldades de comercialização, que é um dos gargalos para a pequena produção, diz.

Banana-Passa

Inicialmente, a Coopasb só está produzindo a bananapassa. As variedades nanica, prata e d’água são as que ficam mais saborosas depois de desidratadas.
A parceria com a Conab começou em julho passado, para fornecer 60 toneladas do produto, que são distribuídas em 16 escolas da rede municipal de Ilhéus, para enriquecer a merenda, beneficiando 9 mil alunos. A Conab paga ao produtor R$ 10 pelo quilo da bananapassa, dos quais R$ 7 são para cobrir os custos e R$ 3 de lucro.
No mercado externo, o quilo é vendido pelo triplo, mas, por enquanto, a Coopasb só está atendendo ao convênio com a Conab, que vai até dezembro. Mera Costa diz que os pequenos produtores gostariam de renová-lo, pelo valor social do PAA, mas já têm propostas para exportar, de compradores na Alemanha, Itália e EUA, mas só querem ir para o mercado externo quando estiverem produzindo abacaxi, jaca, goiaba, jenipapo e coco desidratados.
A estrutura de produção está montada com 17 máquinas desidratadoras, espalhadas pelos 10 núcleos. Parte dos recursos para adquirir o maquinário veio do Programa Nacional de Agricultura Familiar, através do Incra, que dá aos assentados acesso aos recursos do (Pronaf). Cada máquina custou R$ 5 mil. A capacitação técnica do pessoal foi feita pela Uesc-Rural e a Fundação Jupará.
Como dinheiro ganho, eles estão pagando o maquinário e o que sobrar vão reinvestir nas casas de agro-aproveitamento. O próximo passo será a aquisição de despolpadeiras, para aproveitar as polpas das frutas que não podem ser desidratadas, especialmente do cacau.
Segundo Mera, para se obter uma arroba de amêndoa seca do fruto cacau, são desperdiçados oito quilos de polpa, que poderiam virar suco, doces e geléias.

Processo

Segundo a Fundação Jupará, o processo de desidratação é simples e rápido. As frutas são colocadas em bandejas dentro das máquinas aquecidas. Cada fornada dura até 30 horas, para retirar toda a água. Depois, é só retirar e embalar para o consumo.
Cada máquina tem capacidade para desidratar até 150 quilos da fruta in natura.
Os produtores ganham pela quantidade de frutas ofertadas e cada comunidade tem compromisso de entregar por mês entre 200 e 300 cachos de banana. Mas eles sabem que precisam produzir mais, para poder atender ao mercado externo, que já conhece o trabalho da Coopasb, especialmente na área ambiental.
Recentemente, a cooperativa ganhou um prêmio nacional por um projeto de práticas que melhoram o ambiente vivo e, com ele, concorreu a outro prêmio, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que teve a participação de 140 países e 640 projetos. A Coopasb ficou entre os 12 finalistas, destacandose pela melhor prática e gestão ambiental, melhoria dos padrões de produção e consumo e erradicação da pobreza.