Produtos orgânicos: equilíbrio ambiental
Em tempos de alarde sobre o futuro do planeta e previsões catastróficas sobre aquecimento global, que caminhos se apresentam à inevitavelmente afetada produção agrícola? As constatações de mudanças climáticas que já vêm ocorrendo, e as especulações do ainda por vir afetam os agronegócios não somente em práticas de cultivo, mas também em seu mercado.
Com a crescente propagação da problemática sobre o futuro ambiental, surge um público preocupado com as diretrizes políticas de governos e investimentos científicos em soluções para o planeta, mas também com sua participação direta nesse processo: o público que se interessa pela pressão do que consome na sustentação do meio ambiente.
Esse consumidor considera sua saúde, qualidade de vida e o impacto ambiental na hora de escolher seus produtos. Diretamente relacionado à saúde do homem e à preservação dos recursos naturais do planeta está o nosso alimento.
Sua fonte primária, a agricultura, entrou no foco das discussões sobre as possíveis ações preventivas quanto ao aquecimento global.
Infertilidade
A agricultura convencional passou a ser considerada uma das grandes fontes de poluição e destruição do planeta pelo uso de altas quantidades de agrotóxicos que permanecem nos alimentos e também nos solos, rios e lençóis freáticos. Fora a potencial infertilidade, o solo tratado com substâncias químicas libera grande quantidade de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso, contribuindo para saturação atmosférica nos rumos do efeito estufa.
A monocultura é outro dado a ser levado em consideração: a prática mantida nas produções em larga escala empobrece solos, promove queimadas e desmatamentos de grandes áreas para o plantio, contribuindo para a infertilidade da terra e diminuição da biodiversidade.
Mais um dano ao planeta a ser contabilizado: nas técnicas agrícolas convencionais, mais energia é consumida para produzir fertilizantes artificiais do que para plantar e colher as safras.
Consumo
Uma das saídas buscadas por uma parcela da população tem sido trocar o consumo proveniente da agricultura convencional pelo produzido por meio do sistema orgânico, que se diferencia da primeira por não usar insumos químicos – como inseticidas, fungicidas e adubos químicos –, plantio de baixo impacto ecológico por princípio.
Além da ausência de agrotóxicos, a agricultura orgânica mantém uma variedade de culturas que contribui para biodiversidade, restaurando o equilíbrio ambiental.
Em resumo, a prática vem se popularizando por manter a saúde de quem consome e de quem planta, além de preservar solos e atmosfera e ainda reduzir o consumo de energia.
Especula-se que a agricultura e administração florestal sustentáveis poderiam eliminar 25% do aquecimento global, e, na onda dessa chance ao planeta, muitos consumidores e produtores vêm mudando seus hábitos. Esse público crescente exige cada vez maior participação de produtos orgânicos em supermercados, feiras e restaurantes que freqüenta.
Em todo o mundo, os orgânicos movimentam mais de US$ 26 bilhões ao ano. Os europeus ainda são os maiores consumidores, mas o Brasil segue a mesma tendência.
O Ministério da Agricultura indica que o segmento de produtos orgânicos vem crescendo cerca de 50% ao ano no País. Além do consumo interno, o Brasil é candidato a grande exportador de orgânicos, podendo ficar apenas atrás da Austrália, líder de mercado.
Dados da Organics Brasil indicam que o mercado internacional já absorve de 50% a 70% da produção brasileira, o que, em sete meses, corresponde a mais de US$ 6 milhões (números da exportação brasileira de produtos orgânicos no período de agosto de 2006 a fevereiro de 2007, divulgados pelo Ministério do Desenvolvi−mento, Indústria e Comércio Exterior).