PF apreende queijo vencido em Minas

31/10/2007

PF apreende queijo vencido em Minas


Dezesseis toneladas de queijo tipo mussarela foram apreendidas anteontem em um depósito de Uberaba, no Triângulo Mineiro, pela Polícia Federal (PF). O queijo, encontrado em uma câmara fria improvisada, tinha nas embalagens marcas de seis laticínios de Goiás.

São elas: Mil Quilates Laticínio MaroMilk, de Jataí; Lunati Laticínios Ltda., de Palmeiras; Lev Laticínios Leve, de Cezania; Milklac Laticínio Paramilk; Milknata Laticínio Mac Nat; e Lactorei Naturalac, de Goiânia. Algumas estavam vencidas, e outras, abertas. Todas as empresas serão investigadas pela PF e a Vigilância Sanitária.

Segundo o delegado da PF, Ricardo Ruiz, o queijo era comprado com a validade vencida ou próxima do vencimento. No depósito, passava por uma limpeza e recebia nova embalagem, de uma empresa mineira, cujo nome não foi revelado, com o prazo de validade prorrogado e selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agr icultura.

O galpão não tem registro na Receita nem alvará da Vigilância Sanitária. A câmara fria foi lacrada, e o local, interditado. Segundo a Vigilância Sanitária, serão enviadas amostras para a Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, para análise. O dono da mercadoria, já identificado pela polícia, está foragido.

Seu advogado, Antônio Alberto da Silva, foi à PF.

A fraude foi descoberta uma semana depois de a Polícia Federal deflagrar a Operação Ouro Branco, que descobriu que duas cooperativas de Minas adulteravam leite com soda cáustica e água oxigenada.

Em depoimento, uma das três pessoas que estavam no local da apreensão confirmou que os caminhões saíam do galpão à noite, levando o queijo para fábricas clandestinas. O interrogatório dos suspeitos terminou no início da madrugada.

Prisão

A PF apurou que eram comercializadas cerca de 20 toneladas de queijo por semana. O produto era vendido principalmente em São Paulo, nas cidades de Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Bauru e na capital paulista. O dono do depósito pode responder por uso indevido de símbolo da administração pública. A pena prevista para esse crime é de dois a seis anos de prisão.

A Polícia Federal desconfia que o problema tenha proporções muito maiores, talvez nacionais.

Para dimensionar o tamanho do problema e reforçar o esquema de combate, a direção da PF convocou o encarregado da operação, delegado Ricardo Ruiz, da delegacia de Uberaba, para vir a Brasília dar explicações sobre as fraudes em leite e derivados.

Ruiz se reunirá hoje com o diretorgeral Luiz Fernando Corrêa e com chefes de áreas técnicas e operacionais, inclusive a inteligência.

A partir das informações, a PF deve definir uma estratégia mais ousada de combate às quadrilhas que atuam no setor, possivelmente em várias partes do País.

O funcionário que revelou os detalhes da fraude foi preso junto com outras duas pessoas numa diligência da PF.