Cooperativa admite uso de soda cáustica
O presidente da Coopervale, Luiz Galberto Ribeiro, confessou à Polícia Federal que misturava soda cáustica ao leite vendido a grandes empresas. Pelas informações, a Coopervale despejava 15 quilos de soda cáustica em cada lote de 50 mil litros de leite. O Laboratório Nacional Agropecuário, do Ministério da Agricultura, está analisando o material para avaliar o risco à saúde.
Ribeiro, um dos 27 presos em Minas Gerais pela Operação Ouro Branco na semana passada, foi solto mesmo após a confissão. O prazo da prisão provisória, de cinco dias, se esgotou, e a polícia não pediu a renovação.
O presidente da Cooperavale disse que misturava a soda cáustica por sugestão do químico identificado como Pedro – que negou o crime.
Pedro prestava serviços à Coopervale e mais dez cooperativas. O grupo aplicava o golpe há pelo menos três anos. A PF, que investiga ainda a adição de água oxigenada (retarda a deterioração do produto) no leite da Casmil, não soube dizer se houve falha de fiscais do Sistema de Inspeção Federal. O Ministério da Agricultura e a Anvisa publicaram hoje um comunicado à população garantindo que o leite consumido no País é seguro, a adulteração é localizada e os produtos já foram recolhidos.
CELEBRAÇÃO – O deputado Paulo Piau (PMDB-MG) bebeu ontem, na Câmara, leite da marca Centenário, uma das suspeitas de fraude. O ato do deputado ocorreu durante a reunião da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para defender o leite brasileiro.
"O leite possível que a gente tem é esse daí”, disse. A intenção do deputado, segundo ele mesmo, não é defender a fraude, mas “dar um recado à população brasileira”. “É um produto fraudado? É, mas até o fraudado tem a sua qualidade”. disse Piau.