Manifestação em defesa da Ceplac reúne duas mil pessoas
Cerca de duas mil pessoas tomaram o centro de Itabuna, ontem à tarde, para dizer ao governo federal que o sul da Bahia não aceita o fim da Ceplac, uma instituição que é símbolo de desenvolvimento e o principal órgão do governo federal na região.
“Nossa posição é de lutar pela institucionalização da Ceplac como um órgão de pesquisa e extensão, com personalidade jurídica própria para ser uma agência de fomento das políticas públicas nas regiões produtoras de cacau do País”, disse Henrique Almeida, representante do Sindicato Rural de Ilhéus Para Almeida, sem a Ceplac a região não teria como colocar em prática o Programa de Aceleração do Desenvolvimento da Cacauicultura (PAC do Cacau), que prevê o repasse de R$ 2 bilhões em cinco anos para a reestruturação do cacau e a implantação da diversificação agroindustrial da região.
“Só a Ceplac tem estrutura para gerir os recursos e elaborar os projetos a serem encaminhados aos bancos”, afirmou Almeida, um entre os servidores, líderes sindicais, empresários e produtores que vestiam a camisa do movimento A Ceplac é de todos nós.
Segundo ele, essa reação que vem se ampliando na região mudou a posição do PT estadual, que já concordava com o ministro Reinhold Stephanes de que o modelo da Ceplac se esgotou sem ter conseguido dar respostas tecnológicas aos produtores no combate à vassoura-de-bruxa. O presidente da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc), Orlando Filho, diz que, independentemente do que pensa o ministro, a região tem que fortalecer a afirmativa recente do governador Jaques Wagner, de que a Ceplac é importante para o sul da Bahia. Orlando Filho, que é prefeito de Buerarema, diz que a Ceplac tem 50 anos de experiências tecnológicas acumuladas e não pode acabar como o Instituto Brasileiro do Café (IBC), numa salinha do Ministério da Agricultura, com apenas nove funcionários.
“Nossa proposta é de mostrar a Ceplac para a região”, diz, destacando que, nesses anos de atuação, ela formou 7,5 mil técnicos agrícolas (agrimensores e técnicos de alimentos) e capacitou 161 mil produtores. Sua folha de pagamento oxigena a economia local com R$ 15 milhões mensais, e a região não pode prescindir desses recursos.
Ele destaca ainda a contradição flagrante das autoridades que falam em transformar o sul da Bahia em região produtora de cacau e chocolate, mas quer tirar a única estrutura tecnológica capaz de alavancar essa proposta. Para o presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Édson Dantas, o governo acordou e quer repensar a Ceplac e a região. Ele cita a questão energética e diz que o presidente Lula viaja o mundo inteiro tentando vender o etanol e há 30 anos a Ceplac já pesquisava os biocombustíveis. O Projeto Dendiesel, desenvolvido pelo engenheiro químico Ernani Sá, foi pioneiro no País, chegou a colocar um carro rodando com óleo de dendê, mas morreu por falta de apoio.
RENOVAÇÃO – Dantas afirma que a região cacaueira é rica, mas precisa encarar novos desafios. Destaca as possibilidades nas áreas de agronomia e engenharia florestal, aproveitando a rica biodiversidade da mata atlântica, uma das maiores do planeta. Entretanto reconhece que a Ceplac envelheceu, está com 400 servidores para se aposentar, mas tem estrutura para liderar as ações de desenvolvimento, basta renovar seu quadro, por meio de concurso, que não acontece há 20 anos.
Edvaldo Pitanga, do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado da Bahia (Sintsef), um dos organizadores da manifestação, destaca que a Ceplac precisa de um plano de cargos e salários, com servidores bem remunerados, para atrair novos pesquisadores, sintonizados com a nova missão da entidade.
O movimento A Ceplac é de todos nós, que promete novas manifestações, teve ainda a coordenação conjunta do Conselho das Entidades Representativas dos Servidores da Ceplac, da Associação dos Aposentados da Ceplac (Aacep), Cooperativa de Crédito dos Funcionários da Ceplac (Coopec), Câmaras de Vereadores de Ilhéus e de Itabuna, Sindicato Rural de Ilhéus e Grupo de Ação Comunitária de Itabuna (GAC).