Vigilância recolhe leite de mercados para análise

01/11/2007

Vigilância recolhe leite de mercados para análise


 

Quatro fiscais da Divisão da Vigilância Sanitária do Município (Visa) entravam, no início da tarde de ontem, num pequeno supermercado no bairro do Politeama, centro de Salvador. Os clientes, inicialmente, ficaram assustados, pois não entendiam o porquê da movimentação.


A visita foi o pontapé inicial da ação preventiva do órgão, em relação à qualidade do leite longa vida no comércio da capital.
A equipe de fiscais esteve em dois supermercados, e recolheram, aleatoriamente, amostras de quatro marcas – duas por estabelecimento.

As marcas foram enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), órgão vinculado à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Os técnicos do órgão deverão investigar a presença de substâncias como peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e soda cáustica, proibidas pela Agência Nacional de Vigilância (Anvisa), mas usado no leite longa vida pelas cooperativas mineiras Copervale e Camil.


A previsão é que os resultados saiam dentro de sete a 10 dias. A chefe do setor de fiscalização de alimentos da Visa, Cristina Passos, afirmou que os lotes contaminados não chegaram ao mercado soteropolitano, e que duas das marcas afetadas pela fraude, a Calu e Camil, não são distribuídas na cidade, e que a Parmalat já retirou do mercado os lotes contaminados. “Mas nosso trabalho é preventivo, até para tranqüilizar o consumidor”, informa Cristina.

TROCA – Mas, pelo menos na tarde de ontem, o que se viu foi muita gente trocando o leite longa vida pelo leite em pó. Pelo menos em relação às substâncias envolvidas no escândalo, o leite em pó pode ser uma alternativa, pois tanto a água oxigenada, quanto a soda cáustica são encontradas apenas em solução aquosa.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou ontem comunicado, no qual informava que, “nos níveis encontrados, as substâncias químicas não oferecem riscos iminentes à saúde do consumidor”. O texto do prossegue com a informação de que os incidentes registrados em Minas, na semana passada, representam fraude de caráter econômico, e que os envolvidos já estariam respondendo a inquérito criminal e administrativo.

RECEIO – O posicionamento da autarquia não tranqüilizou o consumidor baiano. Na tarde de ontem, nas lojas da cidade, o que se viu foi muita gente receosa diante das prateleiras de leite longa vida.
“Eu ia comprar, mas desisti”, afirmou o cobrador de ônibus Geraldo Santos, de 32 anos. E ele não foi o único. A mesma atitude foi tomada pela cabeleleira Valdice Santos, 26.

“É uma situação realmente difícil”, constatou.
Um dos supermercados visitados na tarde de ontem foi o Mercantil Rodrigues, na Cidade Baixa. O proprietário da loja, Zenildo Rodrigues, detectou queda nas vendas do leite longa vida de pelo menos 40%. Normalmente, a loja chega a vender 10 mil unidades do leite, mas, nas últimas semanas, o Mercantil consegue vender apenas 6,5 mil unidades semanais.

O leite longa vida recebe esta denominação porque tem alta resistência a se perecer, por conta dos processos de ultrapasteurização e esterilização, a que é submetido.
Quando a sua embalagem não é aberta, o longa vida, normalmente, tem prazo de validade de até seis meses.*Uma fábrica de suplemento alimentar destinado a crianças foi fechada ontem por fiscais da Vigilância de Caxias (RS).

Além de diversas irregularidades, como falta de licenças para a produção, há a suspeita de que ração de animais pode ter sido misturada ao produto.