Mamona: agora, é investir

05/11/2007

Mamona: agora, é investir

 

“Estamos otimistas. Estamos vendo uma luz no fim do tunel”. A afirmação, do pequeno produtorWilson Carvalho Machado, de Irecê, refere-se ao cultivo de mamona destinado à produção de agrocombustíveis.

A oleaginosa é, tradicionalmente, cultivada em regime de policultura, para a subsistência dos produtores da região, mas a safra que começará a ser semeada assim que chover é a primeira a ter como destino o óleo para combustível. “Teremos um contrato com a Petrobras, com preço preestabelecido da baga e do óleo, que valerá por um ano. É uma garantia importante”, diz Machado, que é também presidente da Cooperativa de Agricultura Familiar do Território de Irecê (Coafit), que abrange 22 municípios do oeste baiano. Segundo Machado, o acordo foi firmado durante reunião realizada na Petrobras, em Salvador, na semana passada.

Machado conta que a mamona não será a única cultura nas propriedades. propriedades.

E que, antes vendida em baga, passará a ser processada antes da venda em usina implantada pela prefeitura de Lapão, município a 10 quilômetros de Irecê, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A administração da usina ficará a cargo da Coafti. Estima-se que isso agregue cerca de 25% ao valor da produção de mamona para o agricultor.

A cooperativa buscará, ainda, organizar o setor de forma que não haja super-safra – o que aumentaria a oferta, reduzindo o preço praticado no mercado. “O biocombustível está sendo nossa esperança”, enfatiza, lembrando que os agricultores da região sofrem com as poucas alternativas e a falta de chuva. “Nesse ano agrícola, as perdas na lavoura foram grandes”, relata Machado.

Para a safra 2007/2008, está previsto o plantio de 40 mil hectares da oleaginosa na região de Irecê.

De acordo com Machado, muitos produtores já prepararam a terra e as sementes. “Falta a chuva chegar”.

Apesar do ânimo com a nova perspectiva, Machado diz que alguns alguns produtores estão inseguros.

“Nós temos apanhado tanto que muitos ficam com um pé na frente e outro atrás. Mas, nós, da Coafti, temos dito que o biocombustível veio para ficar e que é a forma que teremos de viver da nossa terra”, afirma. “Nunca tivemos uma chance como agora”.

Desenvolvimento

 No semiárido da Bahia, área de 388.274 quilômetros quadrados, que abriga 258 municípios e população acima de seis milhões de habitantes, com predominância da agricultura familiar, a produção de oleaginosas é vista como uma forma de melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que está entre os menores do Brasil.

“O cultivo de oleagionosas para extração de óleo combustível não é a salvação para essas famílias, mas pode agregar valor à produção já existente ou ser um componente adicional do policultivo”, explica Ailton Florêncio dos Santos, superintendente de Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri).

Segundo Santos, o biodiesel já é uma realidade na Bahia. Além das usinas instaladas em Iraquara e Irecê, com capacidade para produção de 100 mil toneladas de óleo, estão em construção unidades em Candeias e em Simões Filho.

Há ainda estudo de mais duas usinas em Barreiras. Essas agroindústrias favorecerão o escoamento da produção. De acordo com ele, para garantir boa produtividade às lavouras de mamona, o governo do Estado distribuirá 280 toneladas de sementes melhoradas, com potencial para aumentar em 20% a produtividade da cultura.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2004/2005, a Bahia colheu 169,4 mil toneladas de mamona, o que respondeu por 81% da produção nacional, de 209 mil toneladas.

Especialistas apontam, a partir dessa vocação agrícola, o grande potencial de desenvolvimento do Estado com bases no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que gerará demanda correspondente à produção de 1,5 milhão de hectare.