Pomares irrigados no sertão do São Francisco

05/11/2007

Pomares irrigados no sertão do São Francisco


Recife, 5 de Novembro de 2007 - Quem vê um parreiral carregado na aridez do sertão do São Francisco, em cidades como Petrolina e Lagoa Grande, em Pernambuco, ou Casa Nova e Juazeiro, na Bahia, bota fé que nessa terra, em se plantando, tudo dá. Tudo mesmo, em se pesquisando dá, acreditam os especialistas da Embrapa Semi-Árido, instalada em Petrolina, distante 740 quilômetros do Recife. Há quase três décadas eles desenvolvem pesquisas que incentivaram produtores rurais a investir na agricultura irrigada e transformar oito municípios do Vale do São Francisco nos maiores exportadores nacionais de uva e manga que, este ano, devem faturar US$ 250 milhões com exportações para a Europa, Japão, Canadá, Argentina e Estados Unidos.
Vinhos finos
A região responde também por 15% dos vinhos finos produzidos no Brasil, sem contar que dos 120 mil hectares irrigados no semi-árido brasileiro, 10 mil estão ocupados com uvas de mesa, a maior área cultivada dessa variedade no País.
A falta de água não inibe as pesquisas nem os investimentos. A irrigação foi evoluindo desde a década de 60, quando começou com inundação, passou para aspersão, depois microaspersão e hoje reduz-se ao gotejamento - superficial ou subsuperficial -, a fim de ampliar o índice de produtividade que busca sempre uma maior produção com menos água. "A pesquisa é fundamental porque a região precisa diversificar a sua produção para aproveitar a infra-estrutura de estradas, portos e aeroportos. Hoje estamos focados em duas frutas e precisamos ter pelo menos seis", diz o presidente da Associação de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto.
Para atender à demanda do agronegócio, a Embrapa Semi-Árido pesquisa agora novas culturas como a maçã, a pêra, o caqui, o pêssego e até a oliveira com mudas vindas de Israel e origem na Espanha e Portugal. "São plantas de clima temperado, que precisam de determinados tempos de calor e de frio, são culturas que não têm nada na literatura sobre o manejo nessa região. Temos que testar e desenvolver tudo, atender às necessidades de água com irrigação e até inibindo a floração para que produzam em épocas de entressafra nas regiões produtoras tradicionais", explica Paulo Roberto Lopes, pesquisador da Embrapa no projeto de Introdução e Avaliação de Culturas Alternativas para o Semi-Árido.
A produção de oliveiras é uma aposta da Embrapa e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) para nacionalizar a matéria-prima do azeite e as azeitonas, hoje totalmente importados pelo Brasil. A experiência, desenvolvida nos projetos Jaíba, no Norte de Minas Gerais, em Bom Jesus da Lapa, na Bahia e em Petrolina, já produz frutos em quatro das 16 variedades testadas.
O caqui, segundo ele, pesquisado há três anos, também está dando bons resultados e a criação de um manejo para que a produção ocorra entre julho e dezembro, período de entressafra no Sul e Sudeste, onde é produzido, vai eliminar a necessidade de importarmos da Espanha e de Israel, pagando até seis vezes a mais.
Sucroalcooleiro
O mercado de etanol também está na mira dos pesquisadores. Até o começo de 2008, será instalado um campo de cultivares de cana-de-açúcar para avaliar as que apresentam mais produtividade para produção de álcool e açúcar. A usina Agrovale, no município de Juazeiro, na Bahia, já produz cana irrigada com a maior produtividade do Brasil, variando entre 90 e 100 toneladas de cana por hectare, podendo chegar a 200 toneladas por hectare.
kicker: Tecnologia aplicada à fruticultura transformou oito municípios do Vale do São Francisco em grandes exportadores de uva e manga.