Vale se destaca em técnicas de controle fitossanitário no País

05/11/2007

Vale se destaca em técnicas de controle fitossanitário no País

Levando em consideração a importância da fruticultura para o Brasil e para o Estado, a Bahia tem procurado aperfeiçoar as técnicas de controle fitossanitário na produção dos frutos, e o controle da mosca-das-frutas é uma das principais exigências do mercado europeu e, principalmente, do norteamer icano.

O Brasil exporta frutas para 37 países, de acordo com informações da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A Bahia responde por 55% da produção nacional, sendo responsável pela exportação de 360 mil toneladas de manga e 700 mil toneladas de mamão por ano. Ainda de acordo com a Adab, o Brasil é o maior produtor de mamão do mundo, e na Bahia há uma área de 11.500 hectares de plantação de mamão, com produção de 780 mil toneladas/ano.

No VI Encontro Estadual da Adab, realizado mês passado, em Porto Seguro, foi apresentado e debatido o programa de controle da mosca-das-frutas e apresentada a primeira área de produção fitossanitária do Brasil, que fica no Vale do Rio São Francisco, na região de Vitória da Conquista.

No evento, a Adab apresentou o Programa de Controle de Moscadas-frutas, através do inseto estéril.

O projeto de produção desses insetos, trabalho da Biofábrica Moscamed Brasil (BMB) servirá como instrumento para reduzir a população natural, por meio do acasalamento de fêmeas nativas com os machos.

Proteção

Depois de a Moscamed desenvolver dois projetos piloto em pólos frutícolas do Estado, o Vale do São Francisco – o maior produtor de fruta do País, segundo dados da Secretaria de Agricultura (Seagri) – será considerado a primeira área de proteção fitossanitária do Brasil.

Isso significará que a praga estará sob controle e será reconhecida oficialmente por organizações nacionais e internacionais. Já o perímetro irrigado do município de Livramento de Nossa Senhora será o local oficial para a liberação das moscas, tendo em vista que a densidade da praga é baixa e trabalhará com conceito de área ampla, voltada para a pequena produção, com ênfase da agricultura familiar, perfil característico da região. De acordo com Altair Santana, diretorgeral da Adab, o controle das moscas-das-frutas é uma prática de sucesso em países que detêm essa tecnologia.

Segundo a assessoria de comunicação da Adab, a técnica é ambientalmente segura e permite a associação com outras formas de controle biológico. Além dos insetos insetos estéreis, a biofábrica, localizada em Juazeiro, produzirá vespas que atacam as larvas das moscas.

A idéia, segundo Peixoto, é combinar o experimento com novas tecnologias e com defensivos agrícolas que apresentem baixíssimo teor tóxico, sendo um produto quase orgânico. Depois de aprovada a técnica, será difundida através de programas de apoio à agricultura, com foco em agricultores familiares, fomentando a distribuição do inseto estéril, com o acompanhamento de técnicos da Adab.

Mamão

Ano passado foi inaugurada na Bahia a packing house (área de processamento pós-colheita) da empresa Bello Papaya, em Mucuri (a 985 km de Salvador, no extremo sul), que tem uma produção de 11 mil toneladas/ano.

A packing house é uma exigências dos Estados Unidos para os exportadores de mamão. Nove áreas produtoras do extremo sul foram habilitadas para exportar para os EUA, em dezembro de 2005.

A área de processamento da empresa, única adaptada de acordo com as exigências dos Estados Unidos, tem a capacidade de produção de 240 toneladas de mamão/ dia, 53 mil toneladas/ano, a maior da Bahia no momento. Os produtores da região, onde já existem mais três packing houses, já exportavam para a Europa.

Exigências

 Para conseguir a liberação e comercializar com os EUA, produtores do extremo sul se adaptaram ao sistema appoach, da Adab, que diminui riscos para as moscas-das-frutas. O sistema prevê o acompanhamento da produção de mamão desde primeira frutificação até destino final, realizando controle do manejo da cultura, bem como o de pragas e da mosca-das-frutas, aperfeiçoado com técnica do inseto estéril.


Maça Eva faz da Chapada paraíso

“Na terra, em se plantando, tudo dá”.
Foi ancorado nessa máxima popular que um grupo de investidores de São Paulo e do Paraná decidiu cultivar maçã no semiaacute;rido baiano. As baixas temperaturas do município de Ibicoara (distante 570 quilômetros de Salvador), na Chapada Diamantina, que variam entre 7 e 20 graus, foram decisivas para a aposta dos empresários.
Mas, “como seguro morreu de velho”, os empresários da Bagisa S/A contaram com a ajuda de um especialista para fazer o experimento com a fruticultura, que é característica de regiões muito frias.
Os primeiros plantios começaram há cerca de dois anos, mas só agora a empresa se prepara para colher a primeira grande safra, que está estimada em 200 toneladas. “No ano passado, tivemos uma safra pequena. Foram apenas 20 toneladas”, disse Mauro Carneiro Bannach, diretor-superintendente da Bagisa.
A história da maçã da Chapada Diamantina começou há cerca de três anos, quando o grupo, que se instalou na Bahia no final dos anos 80, decidiu diversificar a produção agrícola.
“Viemos para plantar tomate, depois batata, e decidimos depois investir em fruticultura, porque quem vive de agricultura sabe que é risco apostar na monocultura. É preciso diversificar”, explica Bannach. Os primeiros investimentos foram feitos nos citros. Inicialmente, laranja, depois tangerina, mas a idéia do cultivo da maçã permanecia no plano de expansão da agroempresa.
Depois de vários experimentos coordenados por especialista em fruticultura, o holandês Theodorus Antonius Johannes Daamen, o projeto das maçãs avançou. Em dezembro deste ano, quando acabam as colheitas no Sul do País, os baianos poderão apreciar a legítima maçã do semiaacute;rido, já que toda a produção será comercializada no mercado do Nordeste. A produção sairá dos 21 hectares plantados na fazenda, que está localizada no distrito de Cascavel.
Bannach revela que o investimento para o cultivo da maçã foi de R$ 1,2 milhão. A perspectiva é a de que, segundo o diretor, daqui a mais dois anos, quando as macieiras entram na fase de estabilidade, a produção seja triplicada. “A plena safra só vai acontecer daqui a mais dois anos, que é quando devemos retirar o investimento feito nesse cultivo”, afirma.
Os resultados têm animado os produtores, que acreditam no mercado local para escoar a produção.
“Existe uma demanda crescente do produto, e nós, além de entrarmos em plena safra, quando as do Sul estão terminando, ainda temos a nosso favor a proximidade com o mercado, o que vai melhorar, e muito, a questão do transporte”, disse Bannach, reforçando que as distâncias menores garantem que o produto chegue fresco ao mercado. “No caso das maçãs que vêm do Sul, elas passam pela câmara de refrigeração“, disse.

Manejo

 O plantio da maçã do semiárido, que é da variedade Eva (no Sul do País são cultivadas as variedades Gala e Fuji), recebeu um tratamento tecnológico diferenciado para o seu bom desenvolvimento. Segundo o engenheiro agronômo José Ernesto Mattos, o sistema de irrigação teve que ser desenvolvido especialmente para o cultivo. “Foi um trabalho pioneiro para identificar a necessidade hídrica da fruta”, disse. De acordo com Mattos, a cultura requer um tratamento diferenciado, por isso a irrigação tem que ser constantemente reprogramada.