Moinhos temem calote da Argentina na oferta de trigo

06/11/2007

Moinhos temem calote da Argentina na oferta de trigo


São Paulo, 6 de Novembro de 2007 - Os representantes dos moinhos brasileiros temem um calote do governo da Argentina na entrega do trigo da nova safra. Isso porque a 10 dias do início do ano da comercialização da safra 2007/08, o governo daquele país ainda não liberou as licenças para a exportação do cereal. A expectativa era que os registros fossem liberados logo depois das eleições presidenciais da Argentina, em 28 de outubro, o que não aconteceu.
"O Brasil pode se defrontar com uma situação de default (não cumprimento) dos contratos de trigo, pois até agora não foi anunciado nada sobre a liberação das licenças", disse o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih.
Segundo ele, as companhias brasileiras contrataram até agora um milhão de toneladas do cereal do país vizinho da nova safra, com a entrega prevista para novembro, dezembro e janeiro. Desse total, 150 mil toneladas foram contratadas pelo Pacífico, o maior moinho da América Latina - o que representa 50% a mais que o mesmo período do ano passado, segundo Phi.
Já o analista da Safra & Mercado, Elcio Bento, demonstra otimismo em relação às entregas do grão argentino. "O Brasil é o principal comprador do grão daquele país; não acredito em um possível calote, pois a Argentina vai produzir uma safra grande nesta safra". A previsão da consultoria é que sejam colhidas cerca de 15 milhões de toneladas de trigo, quase três vezes mais que o consumo interno, previsto em 5,8 milhões de toneladas -, já incluindo a farinha de trigo que deverá ser exportada.