Novas variedades de cana rendem 38% mais

06/11/2007

Novas variedades de cana rendem 38% mais

 

Ribeirão Preto (SP), 6 de Novembro de 2007 - Bom negócio conseguir, com uma nova variedade de cana, aumentar 20% a produtividade do canavial. Mas pouco adianta se a cana tiver baixo teor de sacarose, crescimento inadequado à mecanização, ou for suscetível a doenças. "A cana é como terno. Melhor sob encomenda", diz Marcos Casagrande, coordenador do programa Muda Sadia, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
Um terno sob medida. Foi o que ofereceu o CTC ao lançar para produtores de diversas regiões do Centro-Sul e do Nordeste do País, a sua terceira geração de variedades de cana-de-açúcar. São seis novas variedades da gramínea para atender ao País inteiro, com seus mais variados regimes de clima, diferenças de solo e de período de plantio e colheita.
"O principal é ter o material genético de melhor qualidade e plantá-lo no local adequado. Depois, fertilizar adequadamente o canavial e, por fim, cortar a cana no momento ideal de maturação", diz Tadeu Andrade, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do CTC. "Mas, no final das contas, o que interessa é o dinheiro a mais no bolso do produtor".
Das novas variedades CTC 10 à CTC 15, a margem líquida de contribuição (MC) ao produtor, em R$ por hectare, representa um ganho fantástico. As margens de ganho variam de 12,50% a 37,85% em relação às convencionais RB e SP, desenvolvidas pelas universidades brasileiras e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), responsáveis por quase metade da cana plantada no País.
Segundo o estatístico do programa varietal do CTC, Rubens Braga Júnior, a margem de contribuição das novas variedades de cana, representa o ganho médio do investidor em cinco anos, que seria o período adequado de duração de um canavial. Segundo ele, a MC, medida em R$ por hectare, é a medida líquida de ganho em cinco anos, depois de extraídos os custos (preparo, plantio, tratos culturais, corte, carregamento e transporte da cana) e industriais (de todos os processos) até se chegar aos produtos finais álcool e açúcar.
A variedade CTC 11, para solos de média fertilidade, cuja produtividade, em toneladas por hectare, é 8,43% maior em relação às variedades existentes, mas o ganho líquido, em reais por hectare, chega a R$ 539, ou 37,85% a mais do que a média.
O resultado do lançamento pode ser medido pela adesão das usinas ao CTC. "Em 2004, eram 73 associadas. Hoje, o número já alcança 163, 54,4% do total colhido no Brasil.