Pesquisas unem indústria e academia
Um modelo para a estreita cooperação entre indústrias de energia, academia e governo pode ser visto no campus da Universidade do Colorado, na pequena Boulder, nos arredores de Denver. O Centro de Biorrefinaria e Biocombustíveis do Colorado (C2B2) reúne, no mesmo lugar, uma cooperativa de pesquisa e um centro educacional dedicado ao estudo da conversão de biomassa em combustíveis.
Tocado pelo pesquisador Alan Weimer, o centro tem 18 meses e congrega três universidades de ponta do Estado do Colorado e tem o singelo objetivo de "liderar as pesquisas mundiais" no segmento com a captação de US$ 10 milhões anuais. Nesse modelo de negócios, as empresas podem escolher entre compartilhar os resultados com os demais financiadores ou desenvolver pesquisas exclusivas. Se patrocinam, têm licenças sobre patente, mas pagam US$ 300 mil anuais e mais 10% a um fundo de pesquisa compartilhada.
O projeto inclui pesquisas de etanol celulósico a partir de processos com organismos transgênicos, bioquímica com enzimas, termoquímica com processos catalíticos e engenharia de sistemas para avaliar impactos dos combustíveis. "As petroleiras não tem muito conhecimento na área. Por isso, tem participado mais. Elas não gostam do etanol, mas querem incorporar outros biocombustíveis em suas refinarias", conta o ex-funcionário da Dow e hoje professor de engenharia química Alan Weimer.
Há 27 empresas no conselho diretor e outras três negociam sua entrada. O centro já recebeu 65 propostas de pesquisa e analisa outros 40 projetos. Entre as grandes patrocinadoras estão gigantes como Shell, Chevron, ConocoPhilips, ADM, Dow, DuPont, General Motors, Suncor, Kimberly Clark, Toyota e Novozyme.
Mas há espaço para as pequenas, como a Copernican Energy, nascida no campus de Boulder. A empresa estuda o processo de geração de uma "gás síntese" intermediário entre monóxido de carbono e hidrogênio. É o chamado agente catalítico, que será mais barato e comercialmente viável para transformar a matéria-prima de biomassa em combustível de segunda geração.
A Copernican patenteou o processo de ultraconcentração da luz solar a 1.177 °C para gerar gás e evitar a queima de 30% da biomassa hoje usada sem geração de resíduos do processo. "Como 40% do custo vem da matéria-prima, aumenta o custo quando queima e gasta muito em equipamentos", diz Weimer. Por isso, situada em pleno deserto, a empresa desenhou um reator solar que usa espelhos para gerar 10 quilowatts a uma temperatura de 1.600 °C. Um modelo matemático estuda as nuvens e calcula a intensidade do sol.
As rivais nos EUA são a Universidade Berkeley, Georgia Tech e Iowa Tech. Por isso, há um programa de atração de estudantes de graduação e PhDs dos EUA e de outros países. Já tem gente da China, México e Canadá. "Mas ainda não há nenhum brasileiro", diz Weimer. (MZ)