Queimadas criminosas no sul

08/11/2007

Queimadas criminosas no sul

 

Mais de 400 focos de incêndios criminosos foram localizados em áreas de plantio de eucalipto da Aracruz Celulose e em áreas de preservação permanente mantidas pela empresa, no extremo sul do Estado. Mais de 680 hectares de mata atlântica já foram queimados, e o maior remanescente da vegetação nativa no município de Mucuri (a 784 km de Salvador) estava em chamas ontem pela manhã.

Os incêndios criminosos começaram há 15 dias como forma de represália a uma operação do Ministério Público Estadual, que tenta legalizar a situação dos produtores de carvão na região. Estimase que existam mais de dois mil fornos de carvão clandestinos só no extremo sul do Estado.

A Aracruz teve que triplicar seu efetivo de brigadistas de incêndio graças às queimadas criminosas.

Cerca de mil homens estão trabalhando há 15 dias para combater os incêndios. A empresa calcula que já tenha sofrido um prejuízo de R$ 7 milhões com os danos. De acordo com Aracruz, já foram queimados 1.850 hectares de plantio de eucalipto, 680 ha em áreas de preservação permanente e 33.400 metros cúbicos de madeira cortada.

Caravelas

Num sobrevôo entre os municípios de Teixeira de Freitas, Mucuri, Caravelas, Nova Viçosa e Alcobaça, ontem pela manhã, foi possível detectar seis focos de incêndio, um deles – no distrito de Novo Cruzeiro, município de Mucuri – em uma área de 25 hectares de eucalipto que já começava a atingir uma área de preservação permanente. No distrito de Juerana, em Caravelas, uma área de oito hectares de eucalipto também estava em chamas.O fogo alcançava uma área de mata nativa.

A Aracruz possui uma área de plantio de 140 mil hectares no extremo sul. De acordo com empresa, a cada 2,2 hectares de plantio de eucalipto a empresa precisa manter uma área de preservação permanente, essas áreas de mata nativa, que estão sendo queimadas junto com o eucalipto.

As queimadas, além de destruir as matas, já estão colocando em risco condomínios residenciais, como o que ocorreu perto das residências de empregados da empresa Suzano Papel e Celulose, no município de Mucuri, a 880 km de Salvador.