ED&F Man alia-se a usinas de PE em Suape

12/11/2007

ED&F Man alia-se a usinas de PE em Suape



A trading inglesa ED&F Man, uma das maiores exportadoras de açúcar do mundo, deverá investir cerca de US$ 40 milhões na construção de um terminal para escoamento de açúcar branco no porto de Suape (PE). O aporte será realizado em parceria com um pool de usinas pernambucanos. 


O projeto está em fase final de viabilidade econômica, disse Carlos Guimarães, presidente da ED&F Man no Brasil ao Valor. A empresa belga Manuport está fazendo o estudo de viabilidade. A trading será a acionista majoritária, com participação de 51% no negócio, e o pool de usinas, coordenado por Renato Cunha, presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), ficará com os outros 49%. 


Segundo Cunha, devem participar deste pool dez das 21 usinas do Estado. "Das 21 usinas, sete produzem açúcar refinado e outras três estão realizando investimentos para produzir este tipo de açúcar". 


Pernambuco é o segundo maior exportador de açúcar branco do país, atrás de São Paulo, e tem já infra-estrutura para escoar este tipo de produto. O Estado produz cerca de 1,7 milhão de toneladas de açúcar, dos quais 700 mil toneladas são exportadas. Deste total, 400 mil toneladas são do tipo refinado. "Os embarques atualmente são feitos pelos portos de Recife e de Suape", disse Cunha. Ele lembra que o prêmio para o açúcar branco é US$ 60 por tonelada a mais que o VHP. 


Para a ED&F Man, o investimento em Suape é estratégico, uma vez que o porto está próximo ao norte da África. Os principais clientes da trading estão na África, no Oriente Médio e no Leste Europeu. Com sede em Londres, a trading também opera com café, cacau, açúcar, álcool e atua na área de logística. 


Com base exportadora na Europa, a trading começa a reforçar suas apostas no Brasil, com a menor participação da União Européia neste mercado. A UE, que era maior exportadora de açúcar branco do mundo, perdeu em 2004 processo na OMC (Organização Mundial do Comércio), movido pelo Brasil, Austrália e Tailândia, contra a política de subsídios ao açúcar. Por conta disso, o bloco deixou um espaço entre 3 milhões a 4 milhões de toneladas para outros países exportadores. 


O novo terminal de Suape deverá entrar em operação entre 2009 e 2010 e terá capacidade estática de armazenagem de 120 mil toneladas. A expectativa é de que o terminal movimente entre 800 mil a 1 milhão de toneladas por ano. 


Conforme Cunha, a vantagem de Suape é não-limitação de calado, o que permite a recepção de navios de grande porte. "Eles [a Man] possuem três navios, com tecnologia Bibo (Bulk-in, bags-out), o que na prática empacota o açúcar colocado no seu interior".