Seca preocupa economia do oeste
Atraso do período chuvoso na região oeste da Bahia e o prenúncio de que, quando começarem, as chuvas podem ficar 40% abaixo da média dos últimos anos preocupam os produtores rurais da região. Se as chuvas tivessem começado, eles já estariam em época de plantio. O prognóstico climático está baseado nas informações do Boletim Infoclima, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
De acordo com o meteorologista Heráclio Alves, do Centro Estadual de Meteorologia da Bahia, órgão da Superintendência de Recursos Hídricos (Cemba-SRH), as precipitações ainda não estão ocorrendo de maneira uniforme por causa da influência de uma massa de ar quente e seco. “A tendência é que as chuvas só comecem na segunda quinzena de novembro e se intensifiquem em dezembro”, diz.
Segundo o engenheiro agrônomo IvanirMaia, em períodos normais de chuva já haveria possibilidade de plantação de milho. “Esta é a primeira cultura que entra em fase de plantio”. Ele explica que os que plantam milho cedo têm obtido, na média, melhores resultados, pois conseguem fugir da estiagem comum nos meses de janeiro e fevereiro.
Sobre os prejuízos, Maia enfatiza que ainda é cedo para avaliar.
“Quanto ao milho, já foi afetado o calendário de plantio. Agora vai depender muito da uniformidade e quantidade de chuva que vai cair na época de florescimento e enchimento dos grãos”. Ele acrescenta que há dois anos, por conta do fenômeno La Nina, as chuvas come çaram no final de novembro. “Os Vegetação já mostra os efeitos das temperaturas altas. Total dos focos de queimadas supera anos anteriores meses de janeiro e fevereiro foram muito bons, permitindo boa média de produtividade”.
EMERGÊNCIA – O município de Angical, a 887 km de Salvador, que teve decretado estado de emergência no dia 15 de outubro por conta da estiagem, perdeu 90% da agricultura. A estimativa era colher 8,4 mil toneladas de grãos.
Os cálculos foram feitos por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Agricultura, a Adab e a EBDA. De acordo com o prefeito, Paulo Oliveira (PP), a média de índice pluviométrico é de mil milímetros por ano. No último período chuvoso, ela caiu em torno de 600 milímetros. “Com isso, os lençóis freáticos estão com níveis bem abaixo do normal. Se antes gastavam-se três horas para puxar água, agora gastamos até 10 horas para ter a mesma quantidade de água, o que onera os gastos da prefeitura”, diz.
Em relação ao rebanho bovino, que no município é de 98 mil cabeças, de acordo com dados da última etapa de vacinação contra a febre aftosa, as perdas de peso atingiram 90% do total. Já as mortes confirmadas chegam a 8%. “Não sei o que fazer, porque a ração está muito cara e não tenho mais nada para dar para os animais”, lamenta o pequeno pecuarista Onório Fideli. O resto da sua cultura de milho deu para alimentar apenas dez animais. “De agora em diante, entrei no desespero”.
AUMENTO –A necessidade de reforço alimentar para os animais aumentou os preços de produtos para este fim cultivados na região do cerrado, que na última safra produziu pouco mais de 4,6 milhões de toneladas de todos eles. A saca de 60 kg de farelo de soja, que custava R$ 29, agora custa entre R$ 38 e R$ 40.
O milho, cuja saca de 60 kg valia entre R$ 12 a R$ 16, agora é comercializado por R$ 28. A tonelada de caroço de algodão, que era R$ 180, já chegou a R$ 400, e a tonelada de casca de soja, que custava R$ 120 a R$ 140, agora vale R$ 400. De acordo com o pecuarista Ricardo Barata, os criadores devem procurar fazer reservas de capim para o tempo de seca, que normalmente dura seis meses na região.
“O produtor que se planeja e usa de tecnologia tem pasto o ano todo”, assevera, destacando que nesta época alguns pecuaristas estão alugando pasto, cujo custo é de R$ 10 a R$ 15 por cabeça/mês. Há ainda o problema das queimadas devido à vegetação ressecada por falta de chuvas, às altas temperaturas, que na região chegam a 40º, e à baixa umidade.