Transnacionais aplicaram US$ 5 bi
A Bahia tem vocação especial para a produção de oleaginosas para biocombustíveis, por abrigar três grandes biomas. Na área de Mata Atlântica, é possível o cultivo de dendê e amendoim. No grande semiaacute;rido, que responde por 60% do território do Estado, a mamona e o girassol se adaptam bem e há pesquisas para cultivo de pinhão manso em áreas com pluviosidade acima de 600 mm.
O cerrado baiano é apropriado para lavouras de algodão e soja. Isso representa várias safras ao longo do ano e a possibilidade de abastecimento constante das usinas.
Uma realidade que, segundo o líder do Movimento dos Sem Terra (MST) e da Via Campesina, João Pedro Stédile, interessa a grandes capitais.
“Defendemos que toda a produção de agrocombustíveis deve ser feita na agricultura familiar, o que beneficiaria esses agricultores.
Precisamos defender isso como um produto nacional. O governo deveria legislar para proibir a entrada de capital estrangeiro. Mas é isso que está acontecendo. Já foram aplicados, neste ano, por transnacionais, mais de US$ 5 bilhões em compra de terras e de usinas brasileiras, na produção de etanol e óleo vegetal que serão exportados para os EUA“, denuncia.
Para o líder do MST e Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra, há ainda a discussão necessária acerca da produção de oleaginosas em monocultivo. Na opinião de Stédile, o percentual de terra de cada propriedade destinada às matérias-primas dos agrocombustíveis não pode passar de 20%. (J.S.)
“As ofertas podem parecer tentadoras, mas é necessário muita cautela. Na pior das hipóteses, arrendá-las“ Wilson Carvalho Machado, presidente da Coafti de Irecê.