Arroz e feijão mais baratos em 2008

13/11/2007

Arroz e feijão mais baratos em 2008

 

BRASÍLIA. Os principais componentes da dieta do brasileiro devem ficar mais baratos para o consumidor no ano que vem, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No caso do feijão, a queda de preço será possível porque na safra que está sendo colhida os produtores reduziram a área plantada em 8%. Com isso, o preço subiu e também a remuneração pela venda do produto. Com mais recursos, o setor agora deve plantar mais e os preços voltam a cair, já que a oferta será maior a partir de janeiro. Para o arroz, a explicação é que os estoques ainda estão muito altos.

Além disso, segundo a Conab, a estimativa é de aumentar em 1% a área plantada. Desde 2005, o preço do arroz tem se mantido em patamares baixos, porque em 2003 houve recorde na safra do cereal, o que elevou os estoques do país.

- No caso do feijão, esperamos que haja uma redução de preços em relação à segunda safra - explicou o diretor de Logística da Conab, Silvio Porto. - Teremos preços muito bons para o consumidor. Em relação ao arroz, os preços devem cair e isso será importante para formação dos índices de inflação.

Os itens que mais têm pressionado a inflação neste ano são os alimentos. Assim como o arroz e o feijão, o pãozinho também é tradição na mesa do brasileiro. De acordo com os números da Conab, com o aumento de 70% na produtividade do trigo no país em relação à última safra, a dependência do produto argentino vai cair. Isso pode resultar em preços melhores. Os argentinos, no entanto, aumentaram de 20% para 28% a tarifa de exportação do trigo. Logo, o produto vai chegar ao Brasil mais caro.

Além disso, os parceiros do Mercosul querem estimular as exportações da farinha de trigo, para estimular vendas de maior valor agregado e gerar empregos. Para tanto, os produtores de farinha argentinos vendem o produto a preços menores para fidelizar os clientes brasileiros.

- Eles estão fazendo sobrepreço em cima do grão e não em cima da farinha - destacou Porto. - No caso da farinha, está havendo até uma vantagem na paridade das exportações.

A Conab revela ainda que espera mais um recorde na safra de grãos 2007/2008. A projeção é de 135,5 milhões de toneladas - 2,9% superior à safra anterior, de 131,8 milhões de toneladas. Com relação à formação de preços dos demais grãos da safra, como soja e milho, que têm participação importante na balança comercial brasileira, Porto explica que os preços deverão continuar favoráveis no mercado interno. A explicação é que a base de formação de preço é o mercado internacional, cujos preços estão altos.

Segundo a projeção de safra da Conab para 2007/2008, a estimativa é de 59,4 milhões de toneladas de soja e uma variação de 1,7% em comparação com a safra anterior. Para o milho, a expectativa de produção é de 51,8 milhões de toneladas, um crescimento de 0,9% em relação ao período anterior. Mesmo com as perspectivas de preços altos no mercado internacional e no mercado interno, no caso do milho, Porto acredita que a variação cambial será determinante para a formação dos preços.

A estimativa da companhia é de que a área plantada seja 1,2% superior a da última safra. Serão 46,8 milhões de hectares. O maior crescimento está nas lavouras de soja: de 20,7 para 21,2 milhões de hectares.

As lavouras de milho também terão crescimento significativo. Na primeira safra o aumento será de 9,5 milhões para 9,8 milhões de hectares.