SLC será a primeira empresa agrícola a obter recurso do Bird

13/11/2007

SLC será a primeira empresa agrícola a obter recurso do Bird

 

São Paulo, 12 de Novembro de 2007 - Quando decidiu que dobraria de tamanho, em 2003, a gaúcha SLC Agrícola já arquitetava que a abertura de capital em bolsa de valores funcionaria como uma porta de acesso às instituições financeiras internacionais. Quatro anos depois, a Oferta Inicial de Ações (IPO) ocorreu e, atualmente, a companhia aguarda um aporte de US$ 40 milhões do International Finance Corporation (IFC), braço social do Banco Mundial. A operação - que está em fase final de aprovação - , será a primeira, que se tem notícia, para uma empresa do agronegócio .
Em todo mundo, a SLC Agrícola é a única empresa com capital aberto, cuja atividade principal é a agricultura. A oferta inicial na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi em 15 de junho e, desde então, as ações da empresa valorizaram-se 19,72% (09/11), acima do desempenho do Índice Bovespa (Ibovespa) no período, que variou 17,98%.
A oferta total de ações rendeu R$ 490 milhões, dos quais R$ 296 milhões entraram líquidos para a companhia. "A diferença é que na abertura de capital, vendemos 39% da empresa para nos financiar", diz o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Laurence Beltrão Gomes, que não fala sobre as taxas de juros da captação no IFC.
Além do capital internalizado com a IPO, conta Gomes, um dos principais retornos esperados é justamente a construção desse relacionamento com o mercado de capitais internacional. "Sabíamos que essa exposição melhoraria o nossa classificação de crédito", completa o diretor da SLC Agrícola, empresa listada Novo Mercado da Bovespa.
A experiência em gestão de risco e governança corporativa, a companhia herdou do Grupo SLC, da qual faz parte e que faturou R$ 1,2 bilhão em 2006. Os acionistas majoritários são membros da família Logemann, de origem alemã, radicados no Rio Grande do Sul. Fundado em 1945, o Grupo fundou a primeira indústria de máquinas agrícolas no País. Por mais de 20 anos, manteve join venture com a multinacional John Deere, parceria que foi encerrada há alguns anos. "O Grupo levou para a divisão de agro a gestão moderna da indústria. Quando a SLC Agrícola foi criada, em 1977, o Grupo já era auditado há mais de dez anos", lembra.
O recurso captado no IFC dará suporte ao plano de crescimento que prevê dobrar o tamanho da empresa até 2009/10. Na safra 2004/05, quando essa meta foi traçada, explica o diretor, a área plantada era de 102 mil hectares. O objetivo é atingir 223 mil hectares na safra 2009/10. "Além de novas fazendas, o capital será utilizado na aquisição de máquinas e ampliação da armazenagem".
Na safra 2007/08, o plantio em área própria será de 103 mil hectares e, em arrendada, mais 30,910 mil hectares. Na segunda safra, serão 33,732 mil hectares, de milho e algodão, totalizando plantio de 168,152 mil hectares. "Sempre tivemos estoque de terras maior que a área plantada. Tínhamos que partir para um plano mais agressivo, para um novo ciclo de terras", diz.
A Companhia
A SLC Agrícola é hoje um negócio com oito fazendas espalhadas pelo Brasil em cinco estados. "Todas estão localizadas no Cerrado. Diversificar a localização geográfica dessas terras é uma estratégia para minimizar o risco climático e aproveitar a valorização".
Ao longo desses mais de 30 anos, a SLC Agrícola desenvolveu expertise em aquisição de terras em regiões de nova fronteira agrícola. Além de regime de chuvas, composição química do solo e topografia, a companhia avalia o potencial de desenvolvimento logístico, que é o que vai garantir a valorização.
"Compramos áreas sem desenvolvimento logístico. Nossa avaliação visa capturar que nível de valorização a logística trará para a região. E, no Brasil, quando uma grande empresa compra uma terra, o preço não sobe, muda de patamar", resume. Ele cita como exemplo a fazenda Parnaíba, adquirida em 1988, no sul do Maranhão. Na época, um hectare valia R$ 130, valor que atualmente, com o desenvolvimento logístico da região, está em R$ 4 mil. Além de algumas obras de infra-estrutura, a SLC Agrícola precisou desenvolver variedades de soja e algodão adaptadas à região. "Atualmente, temos, pelo menos, 100 hectares de pesquisa em cada fazenda, que somam mais 150 experimentos, que incluem desde novas variedades, até dosagem de fertilizante e defensivos", acrescenta.
Atualmente, a fazenda no Maranhão tem uma das melhores logísticas da companhia. A produção segue para exportação de estrada até a cidade maranhense de Porto Franco, onde é embarca nos vagões da estrada de ferro Carajás até o porto de São Luiz, totalizando um percurso de hoje 1,1 mil quilômetros.
A SLC Agrícola também estuda ingressar no mercado de biocombustíveis e já mantém cinco áreas experimentais com cana-de-açúcar em cinco fazendas para avaliar a resposta da cultura.