Clima e soja mudam o plantio de algodão

21/11/2007

Clima e soja mudam o plantio de algodão


São Paulo, 21 de Novembro de 2007 - O atraso nas chuvas e os melhores preços da soja mudaram a intenção de plantio de algodão no País. Se antes esperava-se um aumento de área, agora há quem preveja um incremento menor ou até queda. Até o momento 6,5% da superfície destinada à fibra foi semeada, ante a 15% no mesmo período do ano passado.
"Tem produtor que migrou para a soja ou milho e outros não vão plantar safrinha de algodão por causa do atraso nas chuvas", explica Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado. A consultoria estima uma redução de 0,5% ante um aumento de 0,4% previsto anteriormente. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) esperava um cultivo 10% maior, mas agora já acredita em um número inferior a este.
Em Campo Alegre, no Leste de Goiás, o produtor José Fava Neto vai plantar um terço da área cultivada no ano passado e usar a "sobra" na soja. "Hoje em reais e em dólar os preços da soja estão acima dos históricos", diz. Segundo ele, quando convertido para o moeda local, o algodão dá prejuízo. Além disso, segundo ele, o valor mobilizado na fibra é mais alto que na soja e, em caso de problemas climáticos, o risco é maior. Biegai Júnior exemplifica que em Mato Grosso a soja está avaliada em R$ 38,30 saca (60 quilos) ou quase US$ 22, para uma média histórica de US$ 11. "O câmbio neutraliza o aumento do preço internacional do algodão, que foi menor que o da soja", diz Haroldo Rodrigues da Cunha, presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa).
O clima foi a razão da mudança em Lucas do Rio Verde, no Médio Norte de Mato Grosso. O produtor Orcival Guimarães diz que vai plantar 17 mil hectares de algodão ante aos 20 mil hectares previstos anteriormente. E, segundo ele, boa parte será de safra e não de safrinha, como ele previa. Vão ser apenas 12,5 mil hectares da segunda safra, quando o produtor esperava fazer toda a área. "Eu não consegui plantar a soja no período que precisava", afirma. Segundo ele, o plantio desta área de algodão garante o cumprimento de seus contratos, mas o deixa mais vendido: 80% da safra. O analista de algodão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Djalma Aquino, diz que no ano passado cerca de 140 mil hectares foram destinados à safrinha do produto em Mato Grosso. Na avaliação dele, boa parte poderá ser cultivada na primeira safra. "Não é porque a soja precoce não pôde ser plantada na época correta que a área que estava destinada a algodão safrinha vai deixar de ser plantada", afirma.
Biegai Júnior diz que com a mudança no cenário de preços e de clima não há como o País aumentar em 5% a área como prevê a Conab. Ele acrescenta ainda que muitos produtores haviam comercializado a safra com muita antecipação, vendendo-a a valores próximos a US$ 0,60 a libra-peso - quando agora havia contratos a US$0,70 a libra-peso.
"O que comprometeu de área de algodão foi lá na frente", afirma João Carlos Jacobsen, presidente da Abrapa, referindo-se à safrinha. Segundo ele, na Bahia o aumento na área está confirmado. Na safra passada, o estado cultivou O estado com maior incremento de área será a Bahia, de 282 mil hectares e agora serão 320 mil hectares.