Brasil quer elevar sua parte na cota na Hilton
São Paulo, 23 de Novembro de 2007 - Enquanto os argentinos tentam tirar das empresas brasileiras instaladas naquele país a cota Hilton destinada a elas, o Brasil trabalha em outra frente: a de aumentar o seu volume. Atualmente apenas 5 mil toneladas de carne bovina brasileira podem ser comercializadas com a União Européia a tarifas mais baixas. Na Argentina, o volume é de 28 mil toneladas, sendo quase 20% nas mãos das indústrias adquiridas por brasileiros. O país vizinho é o que tem o maior percentual, pois a cota abrange 58,1 mil toneladas. A carne vendida para a União Européia pode ter uma taxação de até 174%. Na cota, a tarifa é de 20% sobre o valor.
Tramita na Câmara dos Deputados da Argentina um projeto de lei que autoriza a liberação da cota apenas para as indústrias que tenham 51% das ações nas mãos de empresários locais. Atualmente, cerca de 40% da cota argentina está nas mãos de estrangeiros. Além das brasileiras Friboi e Marfrig, também estão no país as americanas Cargill e Tyson Foods. As indústrias nacionais não quiseram se pronunciar sobre o assunto, mas o governo, por meio do Itamaraty, disse que está acompanhando o caso. Representantes do setor e analistas de mercado não acreditam que o projeto será aprovado.
O secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Carne (Abiec), Antônio Camardelli, acredita que o movimento argentino não irá prosperar. "Não tem fundamento. E hoje, como cada vez mais está distante o acordo de Doha, fica claro que haverá um acordo bilateral da União Européia e do Mercosul, portanto, o animal deixará de ser brasileiro ou argentino", argumenta. Segundo ele, o Brasil trabalha com a hipótese de aumentar a cota Hilton, pois como o País exportava para a Bulgária e a Romênia, que entraram no bloco, precisa de uma compensação.