Gado ainda precisa de vacina

28/11/2007

Gado ainda precisa de vacina

 

 Os criadores de gado bovino da Bahia não devem deixar de vacinar os rebanhos contra a febre aftosa. O Estado ainda não atingiu o status de área livre sem vacinação, como divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Diário Oficial da União (DOU) de anteontem. “Houve um engano doMinistério. A Bahia, na realidade, recuperou o status de área livre de aftosa com vacinação, que havia sido suspensa por causa do foco da doença encontrado em Mato Grosso do Sul há cerca de dois anos”, explicou o diretor de Defesa Sanitária Animal, Antônio Valentim Fidalgo, da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A retificação foi publicada pelo ministério na edição de ontem do DOU.

De acordo com Fidalgo, a previsão é de que, se não houver mais focos de aftosa, quase todo o Brasil seja declarado área livre sem vacinação em 2009. Na Bahia, o último registro da doença foi em 1997. “Isso é resultado do esforço conjunto de criadores, Adab e Ministério da Agricultura. As vacinações estão sendo feitas e registradas, estamos fazendo barreiras sanitárias, entre outras ações”, frisou.

A notícia de que a Bahia teria sido declarada área livre sem vacinação, chegou a gerar euforia entre criadores de gado presentes na Fenagro 2007. “Primeiro veio a alegria e logo depois a frustração“, conta Almir Mendes, diretor de Comunicação e Marketing da Associação Baiana de Criadores (Abac), organizadora do evento.

“Por prudência, preferimos aguardar a confirmação através de portaria ministerial. E veio a errata”.

Para os 273 mil criadores baianos, que somam rebanho de 11,25 milhões de cabeças, o fim da exigência de vacinação geraria economia mínima anual de R$ 26 milhões — valor referente à compra das duas doses de vacina por cabeça.

“Além dessa economia, há ainda a abertura de importantes mercados no exterior, com melhores preços”, argumenta o pecuarista Marcelo Cordeiro, presidente da Associação Baiana de Criadores da Raça Simental. Ele defende a implantação de políticas de cooperação mais intensas com países que fazem fronteira com o Brasil. “Nesses países, há grande problema com a aftosa, que terminam afetando os Estados próximos”.

O criador de gado Guzerá Geraldo Silvany defende que a Bahia está caminhando para a conquista do status de livre sem vacinação.

“Não foi agora, mas vai ser logo“, disse, comentando o erro do Ministério.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Simental, Alan Fraga, tem a mesma opinião. “A Bahia tem controle muito eficiente da doença e, ao lado de Sergipe, Minas Gerais e Espírito Santo, deve chegar ao ponto de ser livre”, afirma Fraga.