Produção de ovos será afetada pela falta de milho no Brasil
São Paulo, 28 de novembro de 2007 - Avicultores reduzem em até 20% a oferta ao mercado interno a partir deste mês
A valorização do preço do milho no mercado interno e a escassez do produto vão provocar não só redução da oferta de aves, mas também uma produção menor de ovos. A estimativa do setor é que em novembro a disponibilidade de ovos já será 20% menor em relação a outubro.
Os produtores de ovos reclamam que perderam as margens devido ao aumento do custo de produção, uma vez que não há o repasse integral. De acordo com dados da RC Consultores, no acumulado de 12 meses, a valorização do milho foi de 42%, enquanto a dos ovos, de 29%. Por isso, as empresas do setor estão fazendo o descarte antecipado das galinhas velhas. No Rio Grande do Sul fala-se em frigoríficos pedindo a autorização para um terceiro turno de abate destes animais - cuja carne é exportada para a África - e até na matança indiscriminada, com valas nas próprias granjas.
"Não há fluxo de caixa que resista a essas altas e o consumo de ovos é menor no verão", afirma Celso Filippsen, proprietário da Ovos Filippsen Ltda, localizada em Morro Reuters (RS). Pelos seus cálculos, as margens estão negativas em 10%. Segundo ele, tradicionalmente, no final do ano, as empresas descartam as galinhas mais velhas - menos produtivas - e, agora ocorre uma antecipação destas vendas, provocando um excesso de oferta nos abatedouros, que terão de aumentar seus turnos. "Na situação atual, com o preço do milho, tem produtor querendo se livrar das galinhas", diz Filippsen. A sua empresa foi uma das que reduziu em 20% a oferta de ovos em novembro. O diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eduardo dos Santos, acredita que o Rio Grande do Sul vai precisar importar 500 mil toneladas de milho no início do ano que vem para garantir o seu abastecimento. Pelos seus cálculos, a produção - tanto de frangos quanto de ovos - já está entre 15% e 20% menor na comparação com o mês passado. "Estamos em estado total de alerta porque se exportou milho em larga escala e os preços são exorbitantes", reclama Santos.
Em Minas Gerais, a estimativa é que o milho disponível seja suficiente até fevereiro e que a nova safra só entre em abril. "As perspectivas são ruins para o começo do ano que vem. Vai ter um descarte violento de aves para não comer o milho que a gente tem", diz Cláudio Scarpa, presidente do Núcleo dos Avicultores das Terras Altas da Mantiqueira e proprietário da granja Ovos Santa Maria, de Itanhandu (MG). De acordo com ele, há 15 meses, uma caixa de ovos (de 30 dúzias) pagava o equivalente a duas sacas de milho. Hoje paga apenas uma. Com essa relação de troca desfavorável, ele acredita que a produção terá de ser reduzida e as empresas poderão ter de dar férias coletivas.
"A gente não está preocupado, está apavorado", diz o presidente da Associação Goiana de Avicultores, Uacir Bernardes. Segundo ele, na avicultura de postura (produção de ovos), o limite de troca do milho na ração é de apenas 20%, dificultando a substituição. Segundo ele, não existem estimativas do estoque do cereal o no estado, mas o grão deverá faltar e diante deste quadro, o produtor ter de reduzir o plantel.