Safra maior vai garantir preço mais baixo para o consumidor
São Paulo, 28 de novembro de 2007 - Tudo indica que o consumidor brasileiro continuará em 2008 se beneficiando dos preços atrativos do álcool. É que a primeira estimativa da safra 2008/09, divulgada pela consultoria FCStone, mostra que a produção de álcool no Centro-Sul vai crescer ainda mais no ano que vem para 21,9 bilhões de litros, volume 14,3% superior à atual, em finalização. Para equilibrar o mercado no próximo ano com tanto álcool, será necessário que o consumo interno mensal fique entre 1,5 bilhão e 1,6 bilhão de litros, números recordes, atingidos pela primeira vez no Brasil no mês de outubro deste ano.
O aumento na venda de carros-flex e a perspectiva de os preços do álcool continuarem competitivos em relação aos da gasolina sustentam a tese de que na safra que vem o Brasil atingirá um consumo total de 19,4 bilhões de litros, ante os 16,3 bilhões previstos para o fechamento da atual, em março de 2008, segundo Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCStone. A projeção considera que na próxima safra, o Brasil vai, pelo menos, repetir a exportação desta, em torno de 2,5 bilhões de litros. "Esse quadro pode até melhorar caso o dólar fique mais valorizado", diz Silveira. Ele ainda considera que a perspectiva é de que a produção americana de etanol cresça, mas menos do que o mercado esperava, por conta dos altos preços do milho e da demanda reprimida por problemas logísticos do país. Assim, a oferta de etanol nos Estados Unidos deve ficar em 9,5 bilhões de galões (35 bilhões de litros), ante à previsão inicial de 11 bilhões de galões, e à atual de 7 bilhões de galões (26 bilhões de litros). "Alguns ajustes logísticos e no mercado de mistura com gasolina estão sendo feitos. Tudo indica que os preços vão melhorar no próximo ano, voltando a tornar viável a exportação de álcool do Brasil via Caribe", avalia.
Para Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), ainda é cedo para projetar a safra 2008/09. Mas ele acredita que o mercado interno terá total condições de dar suporte a essa necessidade de consumo de 1,5 bilhão de litros por mês, equilibrando a oferta interna. "Há um incremento de 200 mil veículos flex por mês no mercado e não há indicativos de que esse cenário vai mudar", considera Pádua.
A projeção da FCStone confirma uma safra mais alcooleira para 2008, com mix de 56% para álcool, ante os 55% dessa safra. A moagem deverá ser de 468 milhões de toneladas, 12,8% mais que na passada. A produção de açúcar crescerá 9,7% para 28,2 milhões de toneladas, a de álcool hidratado, para 13,8 bilhões de litros (mais 17,9%); e a de anidro, 8,1 bilhões de litros (mais 8,6%). O levantamento da FCStone abrangeu 51 usinas em São Paulo, responsáveis por mais de 40% da cana-de-açúcar moída no estado em 2006/07.