Avanço das lavouras agride o cerrado
Brasília, 3 de Dezembro de 2007 - Sem um sistema permanente de vigilância como o da Amazônia, o cerrado brasileiro, já combalido pela cultura de soja e aumento das áreas de pasto, tem sofrido agressões com o avanço da cultura de cana-de-açúcar, para a produção de etanol, em áreas prioritárias para conservação e uso sustentável da região, alerta estudo elaborado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com recursos da Comunidade Européia.
O estudo mapeou o plantio da cana em nove estados do cerrado. Há novas usinas planejadas em áreas onde não há lavouras de cana. Segundo o assessor de políticas públicas do ISPN, Nilo D''Ávila, há 27 novas usinas programadas para o estado de São Paulo. Em Goiás, onde já há 17 usinas, o número deve saltar para 40. Minas Gerais, com 31 usinas, deve ganhar mais 14 e no Mato Grosso do Sul existem 10 e há 15 em construção. Um total de 79 unidades no Brasil.
"Ao mapear o avanço da estrutura para o processamento da cana sobre o cerrado, o levantamento questiona a capacidade do governo monitorar e controlar o desmatamento no bioma", afirma Ávila.
Os mapas elaborados para rastrear o avanço da produção de etanol no cerrado foram feitos a partir de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
"O governo precisa se antecipar e direcionar a expansão da cana-de-açúcar para áreas já alteradas, se quiser evitar perdas inestimáveis para a biodiversidade.", alerta o professor Donald Sawyer, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.
De acordo com o gerente de Biocombustível e Agronegócio do MMA, Mário Cardoso, há duas ações em andamento para conter a expansão irracional da cana. Uma delas é o Zoneamento Agro-Ecológico elaborado em conjunto com o Ministério da Agricultura, que fica pronto em junho do ano que vem. Outra é a definição de um licenciamento para as usinas com padrões específicos para a cana e o etanol
(Cláudia Dianni)